Possibilidade de as pautas não serem afixadas durante o dia desta sexta-feira chegou a ser admitida pelo ministro da Educação na véspera, quando faltavam avaliar 0,5% das respostas.
Milhares de alunos do ensino secundário aguardam esta sexta-feira pela divulgação das notas dos exames nacionais, mas a afixação das pautas depende da classificação de todas as provas, um processo marcado por atrasos, problemas técnicos e falta de classificadores.
A possibilidade de as pautas não serem afixadas durante o dia desta sexta-feira chegou a ser admitida pelo ministro da Educação na véspera, quando faltavam avaliar 0,5% das respostas, mas Fernando Alexandre acabou por se mostrar confiante de que seriam afixadas durante a tarde de hoje.
"Tivemos uma excelente recetividade [dos professores], as avaliações estão a decorrer e estamos muito confiantes que amanhã [sexta-feira] à tarde publicaremos as notas de todas as disciplinas", declarou aos jornalistas no final do debate sobre o estado da nação.
No dia em que centenas de milhares de alunos esperam ver afixados os seus resultados, o ministro da Educação estará no parlamento, para um debate de urgência, requerido pelo PCP, sobre os exames nacionais.
Com mais de 300 mil provas realizadas em papel, a implementação do processo de classificação digital, que acontece pela primeira vez, implicou a digitalização de milhões de folhas de resposta, posteriormente distribuídas pelos professores para classificação.
Os problemas começaram a surgir, desde logo, com o exame de Português -- o primeiro realizado pelos alunos -- que tardou a chegar aos classificadores por "dificuldades técnicas", segundo o Júri Nacional de Exames (JNE).
Aos primeiros atrasos na disponibilização das provas, seguiram-se relatos de folhas mal digitalizadas, respostas incompletas por falta de folhas de continuação e dificuldades na plataforma de classificação.
"[As dificuldades] estão a ser resolvidas, nós continuamos dentro dos prazos previstos", afirmou o ministro da Educação, Ciência e Inovação no dia 29 de junho, seis dias após o arranque do processo de classificação.
Na mesma semana, o Governo acabou por anunciar o adiamento da divulgação dos resultados, de 14 para 17 de julho.
De acordo com o novo calendário, os professores teriam até às 23:59 do dia 14 de julho para classificar os exames nacionais -- mais quatro dias do que inicialmente previsto --, mas, a poucas horas do fim do prazo, o Ministério prolongou-o por mais 24 horas.
Na altura, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) garantiu que o prolongamento do prazo não punha em causa a afixação das pautas, mas na quinta-feira ainda havia provas por classificar.
"Estamos com dificuldades em conseguir que haja professores classificadores para algumas provas", disse Fernando Alexandre na quinta-feira, justificando o atraso na conclusão do processo.
Por outro lado, na reta final do processo, os docentes continuavam a receber novos itens para classificar, devido a falhas identificadas durante a verificação e validação do sistema.
Entre folhas de continuação com repostas e novas digitalizações, alguns professores tiveram mesmo de classificar itens que já tinham avaliado, merecendo, por isso, um pedido de desculpas por parte do ministro da Educação.
Depois da publicação das pautas, os alunos que queiram repetir a avaliação deverão inscrever-se na 2.ª fase, inicialmente prevista para começar a 16 de julho, mas que arranca apenas na tarde de 20 de julho e termina a 24 de julho, em vez de 22 de julho.
Poderão também pedir a reapreciação da prova, dispondo de dois dias úteis para formalizar o pedido, após receberem a cópia do exame.
Professores e diretores escolares admitem que este ano o número de pedidos possa aumentar, devido aos constrangimentos registados durante o processo de classificação.
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