Na petição, os signatários insurgem-se com o que entendem ser a redução da "data maior" da democracia portuguesa a "uma ideia genérica de festa da primavera".
O presidente da Câmara de Lisboa considerou esta terça-feira que a petição contra a alegada "progressiva desvalorização" do 25 de Abril na programação municipal é um ataque político e uma tentativa de o diabolizar que não fazem sentido.
"[A petição é] algo que eu penso que é um ataque político e tentar diabolizar o presidente da câmara, porque nós estamos a fazer e a investir, em 2026, 250 mil euros em 30 iniciativas na [EGEAC] Lisboa Cultura e, na Câmara Municipal, são mais 30 iniciativas", afirmou Carlos Moedas (PSD), na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa.
O autarca tinha sido questionado pela deputada municipal Natacha Amaro (PCP) a respeito da petição intitulada "Festas de Abril sem Abril", assinada por cerca de 600 agentes culturais de Lisboa, criticando o que consideram ser o "esvaziamento" e a "progressiva desvalorização" do 25 de Abril na programação municipal, a cargo da empresa municipal EGEAC-Lisboa Cultura.
Na petição, os signatários insurgem-se com o que entendem ser a redução da "data maior" da democracia portuguesa a "uma ideia genérica de festa da primavera", assinalando que, "ao contrário do que acontece em tantas cidades do país, pelo segundo ano consecutivo, em Lisboa, não se realiza o tradicional concerto na noite de 24 para 25 de Abril".
Carlos Moedas lembrou esta terça-feira que as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, em 2024, representaram um investimento de quase um milhão de euros em cerca de 100 iniciativas promovidas naquele ano.
"Nós investimos mais do que todos os outros, e naqueles que não são anos redondos investe-se aquilo que sempre se investiu, que é um montante obviamente inferior", realçou o presidente da câmara.
Carlos Moedas rejeitou ainda lições sobre o 25 de Abril, lembrando que o seu pai foi um jornalista perseguido pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE).
"O 25 de Abril para mim é fundamental, é parte da minha vida, eu não estaria aqui sem o 25 de Abril", vincou Moedas, garantindo nunca ter interferido nas decisões das entidades responsáveis pela programação para assinalar a data.
Na petição, a que a Lusa teve acesso, os signatários consideram que "o 25 de Abril surge esbatido, diluído, quase ausente" das Festas de Abril, que integram a programação da EGEAC-Lisboa Cultura.
Assinada à cabeça por Ana Sofia Paiva, João Monge, Pedro Fernandes Duarte e Tiago Santos, a petição conta com o apoio de nomes como André Gago, Carlos Mendes, Cristina Branco e Tiago Torres da Silva, estando ainda a circular entre agentes da cultura lisboeta.
"A forma como são apresentadas as chamadas Festas de Abril - celebrando 'o regresso do sol, das flores, da boa disposição, a vontade de sair de casa e de fazer coisas com os amigos' - desloca completamente o centro de gravidade daquilo que Abril verdadeiramente representa. Como se a data maior da nossa democracia pudesse ser suavizada até caber numa ideia genérica de festa da primavera", lê-se na petição, dirigida ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
Apontando à "responsabilidade política do executivo municipal", os peticionários fazem questão de dizer que a programação desenvolvida pela EGEAC responde a "uma orientação, uma prioridade, uma escolha sobre o que merece ser celebrado - e como".
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