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Correio da Manhã

Política

Morreu Arnaldo Matos, o “educador da classe operária”

Fundador do PCTP/MRPP morreu aos 79 anos. Travou últimas batalhas políticas no Twitter.
Wilson Ledo 23 de Fevereiro de 2019 às 01:30
Arnaldo de Matos, fundador do PCTP/MRPP
Arnaldo de Matos
Arnaldo de Matos com Garcia Pereira
Arnaldo de Matos, fundador do PCTP/MRPP
Arnaldo de Matos
Arnaldo de Matos com Garcia Pereira
Arnaldo de Matos, fundador do PCTP/MRPP
Arnaldo de Matos
Arnaldo de Matos com Garcia Pereira
Foram os maus resultados nas legislativas de 2015 a ditar um dos maiores confrontos no PCTP/MRPP. No jornal oficial Luta Popular, Arnaldo Matos chamou Garcia Pereira de "canalha" e "chulo".

O ex-presidente do partido só rompeu o silêncio dois anos depois, para revelar o estilo de vida burguês do fundador.

De contrariedades se fez a vida de Arnaldo Matos, que morreu esta sexta-feira, a dois dias de completar 80 anos. Mesmo sem dominar a tecnologia, foi no Twitter que travou as últimas batalhas. "Isto é tudo um putedo", escrevia sobre o atual estado da política.

Nascido na Madeira, o serviço militar obrigatório levou-o até Macau, onde conheceu os princípios do maoismo, que o nortearam.

Durante o Estado Novo, em 1970, cria o MRPP, partido que haveria de se transformar num berço político para Durão Barroso ou Ana Gomes.

Já em democracia, nos tempos do PREC, foi preso em Caxias. A escritora Natália Correia chamou-o então de "grande educador da classe operária", um epíteto de que o próprio dizia não gostar.

Enquanto advogado representou várias empresas, como a petrolífera Shell. De 1982 a 2015, Arnaldo Matos deixou o partido mas marcava presença nos comícios e era voz ativa através do Luta Popular, onde assinava como ‘Espártaco’ e ‘Viriato’. O PCTP/MRPP nunca elegeu deputados.

O corpo de Arnaldo Matos encontra-se na sede do partido, na avenida do Brasil, em Lisboa. O funeral realiza-se amanhã, pelas 13h00 para o Cemitério dos Olivais, onde será cremado.

Marcelo lembra contributo para liberdade
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse esta sexta-feira que Arnaldo Matos "ficará na memória de todos como um defensor ardente da liberdade" e destacou o "desassombro das suas intervenções".

Em comunicado, o PCTP/MRPP descreveu o fundador como "um incansável combatente marxista que dedicou toda a sua vida ao serviço da classe operária e a lutar pela revolução comunista e por uma sociedade sem classes".
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