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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Morreu Maximino Serra, resistente antifascista que entrou no PS em 1973

Tinha 87 anos.

09 de dezembro de 2022 às 00:36

Maximino Serra, antigo militante e funcionário político do PS, que participou em duas falhadas tentativas para depor o regime do Estado Novo de Oliveira Salazar, morreu hoje, aos 87 anos, disse à agência Lusa fonte socialista.

De acordo com fonte do PS, o funeral de Maximino Serra, militante do PS desde 1973, será em São Martinho do Porto, concelho de Alcobaça, embora a data ainda não esteja fixada.

Maximino Serra participou na Revolta da Sé e no Golpe de Beja contra o regime de Oliveira Salazar, esteve exilado ao abrigo das Nações Unidas e entrou para o PS antes do 25 de Abril de 1974, partido em que foi funcionário político.

Nas eleições autárquicas de 2021, este histórico socialista entrou como último suplente na lista concorrente à Câmara de Alcobaça pelo movimento Nós Cidadãos, opção que motivou a sua expulsão do PS.

Em declarações ao jornal Público, em maio deste ano, Maximino Serra afirmou ser "alérgico a imposições" e considerou que o que lhe fizeram representou "uma traição", pelo modo como "foi feito".

Mostrou-se então "muito admirado por o atual secretário-geral, António Costa, ter admitido" a sua expulsão e acrescentou: "Penso até que ele não se apercebeu do que me fizeram."

Maximino Serra foi funcionário político do PS desde a instalação do partidos em Portugal, teve responsabilidades em Setúbal, em Santarém e depois em Leiria.

Também em declarações ao jornal Público, em maio, disse ser "o único antifascista vivo a militar no PS", assinalando que "era amigo de Edmundo Pedro e de Palma Inácio".

Antes da sua entrada no PS, Maximino Serra, irmão de Manuel Serra, integrou o Movimento Socialista Popular (MSP).

Após a fundação do PS, em 19 de Abril de 1973, Manuel Serra fez um acordo com Mário Soares e o MSP entrou no PS em janeiro de 1974.

Depois de perder para Mário Soares a liderança partido no I Congresso do PS, em dezembro de 1974, o seu irmão, Manuel Serra, abandonou o PS.

"Foi uma precipitação do Manuel ter-se candidatado a secretário-geral naquela altura", afirmou Maximino Serra ao jornal Público, quase cinquenta anos depois. Maximino Serra, pelo contrário, decidiu ficar no partido e continuar a ser funcionário político.

Resistente antifascista, começou a sua atividade política ligado ao professor Ruy Luís Gomes e em 1958 esteve envolvido na candidatura presidencial de Humberto Delgado.

Após o fracasso do Golpe de Beja, Maximino Serra refugiou-se na embaixada do Brasil em abril de 1962, onde em 1959 se tinha refugiado Humberto Delgado.

Depois, desviou um avião de um aeroclube e voou para Marrocos, em agosto de 1963, para tentar juntar-se à Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), em Argel.

Não conseguiu entrar na Argélia e, em finais de 1964, partiu de Marrocos, a seguir para o Canadá e, mais tarde, para os Estados Unidos, ao abrigo de um programa de proteção para exilados políticos das Nações Unidas.

 

PMF // CC

 

Lusa/Fim

 

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