Nuno Melo defendeu que a maioria absoluta do PS "foi um dos maiores fracassos políticos e desperdício em 50 anos de democracia em Portugal" e deixou um desabafo.
O presidente do CDS-PP avisou esta segunda-feira que "já se antecipa outra crise política", mas vaticinou que se os "socialismos e extremismos" se coligarem para deitar o Governo abaixo poderão ter uma nova desilusão nas urnas.
Nuno Melo fez esta segunda-feira a abertura das jornadas parlamentares do PSD/CDS-PP, em Cascais (distrito de Lisboa), que não contam com a presença do líder do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, ausente do país para assistir esta segunda-feira ao jogo da seleção nacional de futebol nos Estados Unidos contra a Espanha.
"O facto é que já se antecipa por aí outra crise política", afirmou o também ministro da Defesa, sem nunca concretizar que cenário concreto pode fazer antever esta crise política.
Numa intervenção em que criticou quer o líder do Chega, André Ventura, quer o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, o também ministro da Defesa assegurou que o Governo PSD/CDS-PP "deseja e procura ativamente a estabilidade".
"Nós sabemos que não governamos com maioria absoluta e realmente eu acho que não governamos com arrogância. Nós falamos, procuramos entendimentos e não somos arrogantes, ninguém nos pode acusar do contrário, mas também sabemos que os socialismos e os populismos se podem aliar outra vez para que venha aí outra crise política", disse.
Se as eleições legislativas, apenas previstas para 2029, voltarem a ser antecipadas, Nuno Melo deixou a sua previsão.
"Se as oposições não quiserem respeitar a vontade dos eleitores outra vez, se não nos quiserem deixar governar, pode bem ser que tenham uma outra grande desilusão", disse, referindo-se ao reforço da AD em 2025, face às legislativas de 2024.
O presidente do CDS-PP disse acreditar que os portugueses "sabem quem cumpriu e quem traiu o mandato que lhes foi confiado" e defendeu que "os resultados são o cartão de visita" da AD, lembrando que esta coligação PSD/CDS-PP "nunca perdeu eleições legislativas".
Depois de o presidente do PSD ter enviado uma mensagem escrita às jornadas em que alertava para "decisões imponderadas" e irresponsáveis das oposições, Nuno Melo pegou no mesmo mote.
"Portugal não merece, nem precisa de outra crise política e só alguém muito irresponsável pode desejar uma outra crise política", disse, contabilizando sete eleições nos últimos dois anos, período em que "o país ficou em suspenso e recursos escassos acabaram por ser gastos na batalha política".
O líder do CDS-PP considerou que "não havia motivo" sequer para as eleições antecipadas de 2025 -- que tiveram na origem a polémica à volta da empresa da família do primeiro-ministro, a Spinumviva -- porque não havia qualquer crise no país.
"Um ano depois continuamos a não ter crises económicas, continuamos a não ter crises financeiras ou sociais, continuamos a resolver os problemas das pessoas e, acho, a coligação mantém-se coesa", frisou.
Por isso, avisou, "se alguém achar que a tática do momento deve prevalecer sobre o interesse do país, é capaz de voltar a ter outra grande surpresa".
Nuno Melo defendeu que a maioria absoluta do PS "foi um dos maiores fracassos políticos e desperdício em 50 anos de democracia em Portugal" e deixou um desabafo.
"Pudéssemos nós ter essa maioria absoluta e o resultado, que é muito bom, seria exponencialmente maior", disse, considerando que o PS já teve "todas as oportunidades".
Já quanto ao Chega, recordou a recente votação ao lado da esquerda no pacote laboral com o Governo e a sua proposta de descida da idade da reforma "copiada do PCP".
"Eu acredito que está mais perto do que longe o dia em que muitos portugueses, para já ainda iludidos, perceberão que um partido assim não é direita de coisa nenhuma e acrescenta muito pouco a esse espaço político de centro-direita", afirmou, defendendo que só a AD é uma opção "moderada, serena e institucional".
Nuno Melo confessou-se "um grande fã" do ministro das Finanças, reivindicou ter trazido "a defesa nacional para a primeira linha das prioridades políticas" e terminou com um elogio à escolha do Governo do antigo líder do CDS-PP Paulo Portas como comissário-geral das comemorações dos 900 anos da fundação de Portugal.
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