Autarca adiantou que essas medidas serão discutidas ainda esta segunda-feira numa reunião com a Proteção Civil Municipal.
O município de Almada, no distrito de Setúbal, está a estudar formas de mitigar as sucessivas falhas de água no concelho, ponderando criar zonas de abastecimento em pontos específicos para ajudar a população, disse esta segunda-feira o presidente dos SMAS.
Luis Palma, que é também vereador da CDU na Câmara Municipal de Almada, liderada pela socialista Inês de Medeiros, falava à comunicação social minutos depois de ter recebido uma delegação de um movimento de cidadãos que esta segunda-feira se concentrou à porta dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) a exigir a resolução dos sucessivos cortes no abastecimento de água registados no concelho nos últimos dias.
O autarca adiantou que essas medidas serão discutidas ainda esta segunda-feira numa reunião com a Proteção Civil Municipal.
"Estamos a viver um momento muito sensível pelo período do ano que é - estamos no verão -, mas também pelo aumento populacional e com um consumo muito superior à captação que estamos a conseguir", explicou.
Por essa razão, indicou, de forma a salvaguardar o fornecimento a todas as habitações e impedir que as mesmas localidades fiquem sobrecarregadas, está em marcha um modelo de distribuição partilhada e alternada.
"Quando se fala que não há água em Almada... há água em Almada. Estamos é com dificuldade de abastecer algumas zonas mais sensíveis, nomeadamente a Costa da Caparica, que é uma situação que nos preocupa, e por isso é que nós decidimos fazer uma distribuição equitativa, solidária, por toda a rede", disse, adiantando que objetivo é impedir que existam zonas sem água mais de 24 horas.
No domingo a Câmara Municipal de Almada divulgou uma nota na sua página no Facebook indicando que o concelho atingiu em 2026 o maior consumo de água dos últimos 75 anos, com um aumento de 4,3% nos primeiros seis meses deste ano face a 2025.
Segundo a autarquia, a subida representa mais do dobro do crescimento médio anual das últimas décadas, que rondava os 2%, não sendo este crescimento do consumo igual em todo o concelho.
"Enquanto zonas como o Pragal, Almada, Cacilhas ou a Cova da Piedade viram o consumo estabilizar ou até descer ligeiramente, outras dispararam: a Charneca da Caparica cresceu mais de 15%, a Sobreda e o Lazarim quase 15%, e a Costa de Caparica mais de 14%", indicou.
Estes números, sublinhou a autarquia, "ajudam a perceber a pressão que o sistema de abastecimento está a sentir este ano".
Nos últimos dias moradores de várias localidades do concelho têm relatado sucessivas falhas de água, tendo sido lançada uma petição que conta já com mais de quatro mil assinaturas, na qual são exigidas medidas urgentes para minimizar os impactos da falta de água.
Os peticionários pedem ainda uma intervenção urgente para que este problema seja resolvido com a maior brevidade possível e manifestam-se "profundamente preocupados e indignados perante as frequentes interrupções no abastecimento de água" que têm afetado parte do concelho, em especial a Costa da Caparica, a Sobreda e os Capuchos.
De acordo com o texto, "há várias semanas que milhares de residentes e comerciantes enfrentam cortes de água recorrentes, muitas vezes durante horas consecutivas e frequentemente em períodos críticos do dia, nomeadamente ao final da tarde e início da noite, quando a maioria das famílias regressa a casa e necessita de utilizar este serviço essencial".
A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) pediu esclarecimentos aos SMAS.
O Movimento Futuro da Costa, que se candidatou nas últimas autárquicas, realizou na manhã desta segunda-feira uma concentração de protesto junto aos SMAS, enquanto nas redes sociais está a ser anunciada a realização, na quarta-feira, na Costa da Caparica, de um cordão humano silencioso para apelar à resolução urgente do problema.
Segundo dados do Pordata, o concelho de Almada tem atualmente 202.896 habitantes, mais 19.562 em relação a 2021 (últimos censos) e mais 27.651 em relação a 2011.
O PSD, na oposição no município, anunciou esta segunda-feira que vai apresentar uma moção de censura à liderança concelhia socialista.
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