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Política
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O discurso de António Costa: Da incerteza na forma de governo à vontade de manter uma geringonça que garanta estabilidade

Primeiro-ministro já foi indigitado por Marcelo.
Correio da Manhã 8 de Outubro de 2019 às 22:04
Presidente da República indigitou António Costa como primeiro-ministro
Presidente da República indigitou António Costa como primeiro-ministro FOTO: Lusa
António Costa foi esta terça-feira indigitado como primeiro-ministro pelo Presidente da República. No discurso após ter estado com Marcelo Rebelo de Sousa, Costa deixou tudo em aberto com uma clara certeza: quer continuar as "boas políticas" do anterior governo. 

O líder socialista garante que pretende arranjar uma solução política semelhante à geringonça que marcou o governo dos últimos quatro anos e o principal objetivo é que esta solução garanta a estabilidade governativa necessária para o crescimento do país.  Para Costa, é importante "para o desenvolvimento do país, para confiança no investimento, a economia e a credibilidade internacional ter um Governo com o horizonte de uma legislatura". 
 
Sem querer adiantar muitos pormenores, Costa assumiu, tal como já tinha referido na noite em que ganhou as legislativas, que os partidos à esquerda do PS estão na sua 'mira' para "contribuírem para a estabilidade".

O primeiro-ministro rejeitou ainda a possibilidade de ser "aprovada uma moção de rejeição" do programa do Governo como aconteceu em 2015 com o Executivo PSD/CDS.

Se houver acordo com todos é excelente, só com parte também é bom

O primeiro-ministro indigitado, António Costa, considerou que, se houver condições para um acordo do PS com todos os partidos à sua esquerda, será excelente, se apenas com parte, também será bom, desvalorizando a questão da forma.

"Hipóteses: Há condições para fazer um acordo com todos, excelente. Há condições para fazer um acordo só com parte, bom também. Até pode não haver condições para haver acordo", declarou António Costa, no Palácio de Belém, em Lisboa, acrescentando que "a questão da forma não é o essencial".

O secretário-geral do PS adiantou que, "se houver entendimentos com alguma força, é natural que esse entendimento tenha tradução no Programa do Governo", como aconteceu há quatro anos.

O secretário-geral do PS falava aos jornalistas após ter sido recebido pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e indigitado primeiro-ministro, na sequência das audições realizadas hoje aos dez partidos que conseguiram representação parlamentar nas eleições legislativas de domingo.

Encarando como "uma honra" e "uma enorme responsabilidade" o facto de ter sido indigitado para formar o XXII Governo Constitucional, o secretário-geral do PS voltou a defender que os portugueses "manifestamente gostaram da 'geringonça' e gostariam que ela pudesse ter continuidade".

"Iniciarei contactos com o Livre, o PAN, o PCP, o PEV e o BE tendo em vista saber quais são as condições e qual a melhor forma de podermos contribuir todos para que a legislatura corra de uma forma positiva", disse.

Indigitado pelo Presidente da República
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, indigitou hoje o secretário-geral do PS, António Costa, como primeiro-ministro, após ouvir os dez partidos com representação parlamentar sobre a formação do novo Governo.

"Na sequência das eleições parlamentares do passado domingo, 06 de outubro, ouvidos, nos termos constitucionais, os partidos agora representados na nova Assembleia da República, e tendo em conta os resultados eleitorais, o Presidente da República indigitou hoje o doutor António Costa, secretário-geral do PS, como primeiro-ministro do XXII Governo Constitucional", lê-se numa nota publicada no portal da Presidência da República na Internet.
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