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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Oposição acusa presidente da Câmara de Loures de demagogia em relação aos despejos

Em causa estão declarações do presidente da Câmara, indicando que existe a intenção de despejar cerca de 400 arrendatários municipais.

03 de junho de 2025 às 22:04

Os partidos da oposição em Loures, nomeadamente a CDU e o Chega, acusam o presidente da Câmara, Ricardo Leão (PS), de fazer "demagogia" e "propaganda" com o anúncio de despejos por incumprimento no pagamento de rendas municipais.

Em causa estão declarações recentes do presidente da Câmara de Loures, indicando que existe a intenção de despejar cerca de 400 arrendatários municipais que estão em incumprimento e não responderam às tentativas de regularização das dívidas.

As declarações do autarca socialista foram proferidas há uma semana durante o evento Local Summit, promovido pelo jornal Eco, tendo Ricardo Leão referido que há cerca de dois anos foram referenciados 1.200 inquilinos dos bairros municipais que não pagam as rendas.

A agência Lusa tentou contactar Ricardo Leão para esclarecer a questão do plano de regularização da autarquia e os despejos anunciados, mas o autarca escusou-se a fazer mais declarações.

Em outubro de 2024, em declarações à Lusa, o autarca de Loures tinha manifestado a intenção da autarquia de despejar os agregados em habitação municipal que não responderam à proposta da regularização das rendas em dívida, indicando, na altura, que o plano abrangia 550 famílias.

Contudo, questionados pela Lusa os partidos da oposição em Loures, principalmente a CDU e o Chega, acusaram Ricardo Leão de usar a questão da habitação municipal para fazer "demagogia" e "propaganda".

"A Câmara não pode e está a brincar por um motivo eleitoralista. Aquilo que está a ser dito não coincide com a realidade. Em outubro ele disse que ia emitir 500 ordens de despejo e agora são 400. O presidente da Câmara diz que vem acabar com o populismo, mas o maior populista é ele", afirmou Bruno Nunes, vereador do Chega em Loures, município do distrito de Lisboa.

O também deputado na Assembleia da República desafiou o presidente da Câmara de Loures a dizer quantas pessoas já foram efetivamente despejadas e defendeu que haja uma distinção entre as que "não pagam porque não podem e aquelas que não querem".

"Não queremos que ninguém seja despejado, só porque sim, para ir buscar números. Mesmo dentro daqueles que não pagam, o Chega defende que se deve olhar para aqueles que não pagam porque não podem e para aqueles que não pagam porque não querem. Eu não quero pessoas de 82 anos a serem despejados porque não têm rendimento", argumentou.

No mesmo sentido, também o vereador comunista Gonçalo Caroço criticou as ameaças de desejo, considerando tratar-se de "uma cortina de fumo".

"Esta situação não é nova, é requentada e aparece sempre que há dificuldades. É um discurso em que se tenta segregar as pessoas e fazer delas um bode expiatório", apontou.

Para Gonçalo Caroço, a Câmara deve "falar com os moradores em vez de generalizar".

Por sua vez, o vereador do PSD Nélson Batista, com pelouros no executivo municipal, defendeu que "os recursos públicos devem ser geridos com justiça social", considerando que "quem tem o benefício de viver numa habitação municipal deve cumprir".

"Quem não o faz está, por decisão própria, a afastar-se do compromisso assumido com a comunidade. Mais do que um ato administrativo, trata-se de um procedimento ético, de respeito por quem cumpre e por quem paga os seus impostos", argumentou.

O executivo de Loures é composto por quatro eleitos do PS, incluindo o presidente, quatro da CDU, dois do PSD e um do Chega.

O PS e o PSD estabeleceram um acordo para garantir a estabilidade governativa da Câmara Municipal, ganha em setembro de 2021 pelo socialista Ricardo Leão sem maioria absoluta.

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