Em causa está o eventual "conflito de interesses" com a empresa Mota-Engil.
O parlamento aprovou, esta quarta-feira, a audição da presidente do conselho de administração do Metropolitano de Lisboa e antiga secretária de Estado da Gestão da Saúde, Cristina Vaz Tomé, sobre o eventual "conflito de interesses" com a empresa Mota-Engil.
O requerimento da IL para a audição de Cristina Vaz Tomé na comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação foi aprovado com os votos favoráveis de PS, Chega e IL, o voto contra do PSD e a abstenção do Livre.
No requerimento, a IL recorda que em 21 de abril, numa audição na comissão parlamentar de inquérito ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), o antigo chefe de gabinete da secretaria de Estado da Gestão da Saúde, Gustavo Namorado, "indicou que a sua saída teria sido motivada pela perda de confiança do próprio na secretária de Estado".
"Das palavras do Dr. Gustavo Carvalho, infere-se que um dos motivos para a sua saída foi uma avaliação pessoal de que poderia haver um conflito de interesses entre a então Secretária de Estado da Gestão da Saúde, Dra. Cristina Vaz Tomé, e a empresa Mota-Engil, por via do seu último empregador antes de assumir funções, e ao qual foi atribuída a responsabilidade de construção do Hospital de Todos os Santos, em Lisboa", lê-se no requerimento.
Para a IL é "particularmente importante analisar e discutir a relevância deste eventual conflito de interesses" no âmbito das funções atuais de Cristina Vaz Tomé, enquanto presidente do Metropolitano de Lisboa, "uma vez que muitos dos projetos em curso se encontram contratualizados com a empresa, como é o caso das obras de extensão da Linha Vermelha, da Linha Amarela e da implementação da linha circular na Linha Verde".
O grupo parlamentar lembra ainda que a Comissão Europeia autorizou o Metropolitano de Lisboa a avançar com a adjudicação do contrato para a construção da Linha Violeta, depois de o consórcio liderado pela Mota-Engil aceitar substituir a chinesa CRRC pela polaca PESA, no fornecimento de material circulante.
"Numa altura em que surgem notícias de derrapagem dos valores e dos prazos para a construção da expansão da Linha Verde, e sobre a iminente adjudicação de mais uma obra do Metropolitano de Lisboa à empresa Mota-Engil, é essencial que estes processos e esta relação seja cabalmente esclarecida", consideram os liberais.
A IL pretende que Cristina Vaz Tomé possa "clarificar as preocupações levantadas, bem como, a esclarecer todas as dúvidas relativamente à relação entre o Metropolitano de Lisboa, E.P.E. e a empresa Mota- Engil, e ainda, esclarecer o ponto de situação e evolução das obras de expansão das linhas Verde e Amarela e de extensão da Linha Vermelha".
Foi também aprovada, após requerimento oral do PSD, a audição do antigo chefe de gabinete Gustavo Carvalho.
O concurso, lançado em abril de 2025 pelo Metropolitano de Lisboa relativo à linha Violeta, foi alvo de uma investigação da Comissão Europeia em novembro passado para verificar se a filial em Portugal da fabricante estatal chinesa de material circulante CRRC teve uma vantagem indevida no processo ao receber subsídios estrangeiros ilegais.
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