Antigo primeiro-ministro comparou situação à saída de Mário Centeno do Governo para o Banco de Portugal.
O antigo primeiro-ministro Passos Coelho considerou, esta terça-feira, "um precedente grave" a passagem direta de Luís Neves de diretor nacional da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna, comparando-a à saída de Mário Centeno do Governo para o Banco de Portugal.
Numa conferência organizada pela SEDES e pela AEP no Porto, em som captado pela rádio Observador, Pedro Passos Coelho, numa passagem da sua intervenção sobre a importância da independência dos reguladores e a separação de poderes, referiu-se em concreto à nomeação de Luís Neves, que tomou posse na segunda-feira como ministro da Administração Interna, o terceiro nos dois executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro.
"Eu bem sei que, seguramente, a intenção que o primeiro-ministro teve ao convidar o ex-diretor da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna se baseou na melhor das intenções. Não tenho dúvida disso. Mas o precedente é grave", disse.
Para Passos Coelho, "não se pode passar de diretor da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna", dizendo não estar em causa a escolha da pessoa.
"Mas não foi um bom sinal que se deu. Não é um bom sinal que se dá. Como não foi um bom sinal tirar o ministro das Finanças para o meter em Governador do Banco de Portugal, não é um bom sinal", disse, referindo-se ao caso de Mário Centeno, então no executivo PS de António Costa.
Para o antigo primeiro-ministro, "há muitas evidências que têm a ver com a forma como os agentes se comportam que são importantes para a cultura de responsabilidade, para a cultura democrática, para a cultura de um verdadeiro Estado de Direito, da verdadeira separação de poderes".
"Eu, quando estive no Governo, fiz sempre por respeitar a autonomia e a independência dos reguladores. Porquê? Porque isso é fundamental para uma cultura de concorrência e de responsabilidade. Agora, se isso está na lei, mas não está na cabeça dos agentes, é muito difícil", afirmou, considerando que tal "mata a cultura da regulação".
Na sua longa intervenção, Passos Coelho abordou também o aparente impasse negocial na reforma laboral, desafiando o Governo a abrir "a mesa negocial a outras reformas".
"Os partidos no parlamento que decidam. Se querem apoiar ou se não querem apoiar. E se não quiserem apoiar e chumbarem as propostas de reforma, o Governo tem aqui um ponto importante para se dirigir ao eleitorado e para pedir mais força para as concretizar, a menos que o Governo ache que não tem apoio na sociedade portuguesa para estas reformas", afirmou.
O antigo primeiro-ministro sublinhou que "ser julgado por não ter conseguido o que se pretendia é uma conta, ser julgado por nem sequer tentar fazer é outra".
"As pessoas estão exaustas dos políticos que não querem decidir nada, que só querem administrar o cidadão contribuinte a cada eleição, a cada ano", disse.
Por isso, afirmou que gostaria de ver o Governo do seu partido, o PSD, a seguir o caminho reformista.
"Mas se não fosse o meu partido, que fosse outro, que fizesse também. Porque quando está em causa o país, nós gostamos que os governos se saiam bem, se forem do nosso partido melhor que ficamos com orgulho", afirmou.
O antigo primeiro-ministro insistiu ainda que "a competência na administração é mais importante do que a confiança política" e disse ter convidado para ministros "pessoas que quase não conhecia do ponto de vista pessoal".
"Não eram meus amigos. Não andaram nas reuniões comigo lá no PSD", afirmou.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.