Segundo o líder comunista, a criação da prestação social única deve ser discutida "com rigor e com verdade.
O secretário-geral do PCP acusou este domingo o Governo de "ter uma peitaça forte contra os mais fracos e de se vergar perante os mais fortes", criticando a forma como está a avançar com a prestação social única.
Paulo Raimundo, que falava à margem de uma visita à Feira Nacional de Agricultura (FNA), em Santarém, considerou que o executivo pretende avançar com esta medida "à pressa" e sem clarificar aspetos essenciais, nomeadamente os valores e o impacto junto dos beneficiários.
"O Governo quer uma autorização para fazer o que entender", afirmou, sustentando que o PCP não aceitará "dar uma carta-branca" ao executivo nesta matéria.
A Prestação Social Única (PSU) é uma reforma do sistema de apoios sociais proposta pelo Governo, que prevê a agregação de 13 prestações sociais não contributivas, como o Rendimento Social de Inserção ou o subsídio social de desemprego, num único apoio.
Segundo o líder comunista, a criação da prestação social única deve ser discutida "com rigor e com verdade", alertando para o número significativo de pessoas abrangidas, entre as quais milhares de crianças e jovens.
"Estamos a falar de cerca de 160 mil beneficiários do rendimento social de inserção, dos quais uma parte significativa são crianças e jovens até aos 18 anos", referiu, rejeitando a ideia de que se trate de pessoas "encostadas" ao sistema.
O dirigente do PCP apontou igualmente críticas à política fiscal do executivo, acusando-o de favorecer "os grandes interesses" enquanto endurece a sua posição face aos mais vulneráveis.
"É um governo que fecha os olhos à fuga de capitais para paraísos fiscais e que entrega recursos públicos aos grandes interesses privados", afirmou, referindo também medidas como a redução do IRC.
Para Paulo Raimundo, a proposta em torno da prestação social única insere-se numa linha de atuação que considera "penalizadora para os mais pobres", defendendo que qualquer alteração no sistema de apoios sociais deve ser feita com base em dados concretos e numa avaliação rigorosa.
O secretário-geral do PCP acusou também o Governo de estar "em guerra com os trabalhadores", considerando que PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal estão "obsessivamente" empenhados em medidas prejudiciais aos direitos laborais, e criticando o Chega pela alegada incoerência de posições, que classificou como "o partido das cambalhotas".
Para Paulo Raimundo o pacote laboral em discussão "é um projeto de aumento da precariedade, de desregulação dos horários de trabalho e de imposição do despedimento com justa causa", acrescentando que "vai pressionar os salários, que já são baixos em Portugal".
Segundo o dirigente comunista, o Governo está "cada vez mais isolado" nesta matéria, sustentando que "a maioria rejeita este caminho" e que a aprovação da proposta dependerá de entendimentos parlamentares, nomeadamente com o Chega.
"O Governo está em guerra com os trabalhadores", disse, acusando PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal de estarem "obsessivamente" empenhados em medidas que considera prejudiciais aos direitos laborais.
Paulo Raimundo centrou a sua intervenção na situação do setor agrícola, criticando a discrepância entre anúncios governamentais e a realidade no terreno, num contexto de agravamento dos custos de produção.
"A produção agrícola é um setor importantíssimo, pelo que produz, exporta e pelo peso na economia, mas há um problema: muitos dos anúncios não chegam a quem de facto produz", afirmou.
O dirigente comunista referiu um "aumento brutal do custo de vida" e dos fatores de produção, como os fertilizantes, considerando que os apoios anunciados "não chegam aos agricultores".
O líder do PCP disse que a visita à FNA visou "reconhecer o trabalho dos agricultores" e exigir ao Governo que "cumpra as promessas que faz".
Admitindo que as queixas dos produtores são "reais", considerou que refletem um problema mais amplo de um executivo que "vive da sua própria propaganda" e que, na sua opinião, não acompanha a realidade do país.
A Feira Nacional de Agricultura decorre em Santarém e tem como tema central, este ano, os frutos e pequenos frutos, um segmento que Paulo Raimundo destacou pelo seu crescimento e potencial de exportação.
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