Partido considera que o executivo está a bloquear uma iniciativa "que permitiria divulgar o significado real da revolução portuguesa às gerações atuais e vindouras".
O PCP pediu esta sexta-feira esclarecimentos ao Governo sobre a criação do Centro Interpretativo do 25 de Abril, acusando o executivo de "falta de sentido de Estado" e de bloquear a divulgação do "significado real" da revolução.
Numa pergunta dirigida ao ministro da Presidência, António Leitão Amaro, a bancada comunista afirma que, depois da tomada de posse do Governo PSD/CDS-PP, o processo de criação de um Centro Interpretativo dos 50 anos do 25 de Abril, que se esperava concluído em 2026, foi interrompido sem que tenham sido dadas "quaisquer notícias concretas sobre a execução dos compromissos governamentais que tinham sido assumidos".
O semanário Expresso noticiou esta sexta-feira que a criação deste centro está bloqueada porque o Governo não cedeu o espaço previsto para a sua instalação.
Para o PCP, a atitude do Governo "tem um duplo sentido político": por um lado, escrevem, o "Governo não honra os compromissos assumidos pelo Governo anterior, revelando com isso uma manifesta falta de sentido de Estado" e, por outro, o executivo "falta ao cumprimento e não honra os compromissos assumidos pelo Governo de Portugal no que respeita às comemorações dos 50 anos do 25 de Abril".
O PCP considera que o executivo está a bloquear uma iniciativa "que permitiria divulgar o significado real da revolução portuguesa às gerações atuais e vindouras" e questiona o executivo sobre os motivos para que os compromissos assumidos "não tenham sido cumpridos".
Os comunistas querem ainda saber "quando e como tenciona o Governo desbloquear a atual situação de impasse relativamente à cedência de instalações e ao financiamento" deste centro interpretativo" e qual a data prevista para a inauguração do espaço.
À Lusa, fonte oficial do executivo disse esta sexta-feira que o Governo "mantém abertura" para encontrar soluções para o Centro Interpretativo do 25 de Abril depois de considerar inviável instalá-lo no edifício inicialmente previsto, e sugeriu um espaço na Pontinha.
Numa resposta enviada à Lusa, fonte oficial do Governo disse que "a solução protocolada" para a criação deste centro interpretativo -- ou seja localizá-lo nas instalações do MAI, no Terreiro do Paço, em Lisboa, - "assentava num pressuposto que é atualmente inviável", uma vez que este ministério "continuará a funcionar no local atual".
Também "não foi protocolado, e não está neste momento prevista esta utilização para a área do Terreiro do Paço ocupada pelos serviços do Ministério da Agricultura", acrescenta a mesma fonte.
Em setembro do ano passado, o presidente da Associação 25 de Abril já tinha acusado o Governo de faltar ao compromisso assumido.
Segundo o coronel Vasco Lourenço, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, comunicou à associação que "por razões de segurança", não especificadas, o MAI já não iria sair das atuais instalações.
No artigo divulgado esta sexta-feira pelo Expresso, a comissária executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, Maria Inácia Rezola, disse ver "este impasse com muita preocupação".
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