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PCP quer saber se Bruxelas tenciona apoiar pescadores e pequenos armadores portugueses

Eurodeputado considera que comunidade vive "situação dramática" após o 'comboio de tempestades' que assolou o País.

18 de fevereiro de 2026 às 17:29

 O eurodeputado do PCP João Oliveira perguntou esta quarta-feira à Comissão Europeia se tenciona apoiar os pescadores e pequenos armadores portugueses, afirmando que vivem uma "situação dramática" após as tempestades que assolaram o país.

Numa pergunta dirigida à Comissão Europeia, João Oliveira afirma que "o setor da pesca está a ser profundamente afetado com a sucessão de tempestades que assolaram Portugal".

"Num setor já a braços com múltiplos problemas, praticamente desde o princípio do ano que os pescadores se veem impedidos de ir ao mar. A situação é dramática, atingindo milhares de pessoas e havendo já relatos de famílias a passar fome", refere.

O eurodeputado do PCP refere que as "consequências negativas de toda esta situação têm um impacto geral no setor, mas recaem sobretudo sobre pescadores e pequenos armadores dedicados à pesca local e costeira".

"Indiretamente, são também afetadas outras atividades em terra ligadas à pesca, já que a falta de atividade pesqueira afeta também as atividades da reparação naval, das lotas, da comercialização e da distribuição do pescado e da restauração", afirma.

João Oliveira acrescenta ainda que as tempestades "também tiveram impactos na destruição de instalações destinadas à pesca (portos, barras, abrigos, embarcações) e aquicultura".

Assim, o eurodeputado do PCP pergunta à Comissão Europeia "que medidas de emergência serão acionadas, ao nível da União Europeia, para fazer face às consequências desta paragem e, em particular, para apoio aos pescadores e pequenos armadores afetados".

"Que medidas efetivas pensa a Comissão adotar para apoiar o setor das pescas e aquicultura em Portugal face à destruição provocada pela sucessão de temporais?", pergunta ainda.

Esta segunda-feira, o presidente da Apropesca -- Organização de Produtores da Pesca Artesanal apontou um "impacto recorde" do mau tempo no setor da pesca, salientando que há pequenos barcos parados desde dezembro.

"Este ano, o impacto bateu recordes. Temos embarcações que, desde dezembro, não vão ao mar. As embarcações maiores foram ontem [domingo] e hoje já estão paradas", adiantou o presidente da Apropesca, Carlos Cruz, em declarações à Lusa.

De acordo com a organização, muitas famílias "já estão a passar mal", uma vez que os armadores têm de pagar aos seus trabalhadores, independentemente de pescarem ou não.

"Têm de pagar o salário, a alimentação e a estadia. Depois têm as despesas nos estaleiros, com seguros e com a manutenção. Um barco parado fica sempre com alguma coisa estragada", disse.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.

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