Presidente da Câmara do Porto dá legitimidade para tomar medidas mais restritivas do automóvel.
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, admitiu, esta sexta-feira, que a gratuitidade dos transportes públicos não será a "bala de prata" para resolver a mobilidade no município, mas dá legitimidade para tomar medidas mais restritivas do automóvel.
"Nós não achamos que esta é uma bala de prata que de repente vai transformar a mobilidade na cidade do Porto. É importante que tenhamos noção das expectativas que temos pela frente", disse esta sexta-feira o autarca, numa cerimónia em frente à estação de metro da Trindade.
Para Pedro Duarte, a gratuitidade dos transportes, em vigor a partir desta sexta-feira para quem tenha cartão municipal Porto. (é necessária uma atualização nas lojas Andante ou Payshop), "este é um primeiro passo muito importante, é um incentivo muito importante para que comece a haver uma mudança de paradigma na vida das pessoas, em que o transporte individual passa a ser supletivo e o meio essencial prioritário de transporte na cidade seja o transporte público".
"Esta mudança de paradigma vai demorar certamente muitos anos, mas é com estes incentivos que vamos conseguir concretizar que tal venha um dia a acontecer", disse.
Quanto ao trânsito, a expectativa "não é que tenha um efeito imediato de transformação", mas o autarca referiu que quer "começar a mudar" o paradigma.
"Temos uma ideia de cidade que aposta na qualidade de vida, no bem-estar individual de cada um e no bem-estar de nós enquanto comunidade, e para isso nós não podemos ter uma cidade que é composta por automóveis parados no trânsito. Isso é a antítese do bem-estar", considerou.
O objetivo é que "o espaço público seja usufruído pelas pessoas", evitando estar "a buzinar" e "a bufar" dentro dos carros pelo tempo perdido no trânsito.
Além de mencionar a intenção de aumentar as faixas BUS no concelho em seis quilómetros até ao final do ano, para um total de 22, o autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL disse que agora vai "poder tomar algumas medidas que, em certo sentido, não sejam tão simpáticas ou tão amigas do automóvel, tendo agora uma legitimidade acrescida, é que a Câmara está a oferecer transportes gratuitos a quem precisar".
Questionado também sobre o alcance desta medida para a Área Metropolitana do Porto (AMP), uma vez que apenas os residentes na cidade poderão beneficiar da gratuitidade, Pedro Duarte, que é presidente da AMP, disse que não pode "tomar decisões em nome dos outros presidentes de Câmara".
"Para termos uma estratégia metropolitana de transportes e de mobilidade é muito importante que todos adiram a esta ideia de que devem apostar no transporte público. A forma como o fazem, isso compete a cada um. Nós aqui no Porto estamos de facto a ir se calhar mais longe do que qualquer outro", reconheceu.
Porém, quanto a esta medida, "tomá-la em termos metropolitanos" não é possível, disse, reiterando que defende "que o país devia evoluir para um modelo diferente" com "um nível de poder político entre o poder autárquico e o poder central".
"Se tivéssemos, se calhar poderíamos ser mais ambiciosos nesta matéria. Enquanto não podemos, acho que o Porto pode servir como um piloto, uma semente que vai dar frutos e depois talvez os outros percebam que é uma medida que vale a pena também assumirem", afirmou.
Quanto à sustentabilidade financeira da medida, Pedro Duarte disse acreditar que os 20 a 25 milhões de euros estimados serão suficientes, mas admitiu, no futuro, subir a taxa turística para "os valores de Lisboa", ou seja, de três para quatro euros.
Já sobre se o dinheiro não será necessário para eventuais futuros investimentos na Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), Pedro Duarte afirmou que há um plano a 10 anos que já estava previsto antes desta medida.
"Esse plano é ambicioso e, portanto, perspetiva já um crescimento significativo de autocarros. Até porque, às vezes, há um pouco esta confusão, não é necessariamente através de mais autocarros que se vai resolver um problema de maior procura, porque depois os autocarros ficam eles próprios parados no trânsito", disse.
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