page view

Pedro Duarte considera que transportes grátis não são "bala de prata" para a mobilidade no Porto

Presidente da Câmara do Porto dá legitimidade para tomar medidas mais restritivas do automóvel.

10 de julho de 2026 às 13:58

O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, admitiu, esta sexta-feira, que a gratuitidade dos transportes públicos não será a "bala de prata" para resolver a mobilidade no município, mas dá legitimidade para tomar medidas mais restritivas do automóvel.

"Nós não achamos que esta é uma bala de prata que de repente vai transformar a mobilidade na cidade do Porto. É importante que tenhamos noção das expectativas que temos pela frente", disse esta sexta-feira o autarca, numa cerimónia em frente à estação de metro da Trindade.

Para Pedro Duarte, a gratuitidade dos transportes, em vigor a partir desta sexta-feira para quem tenha cartão municipal Porto. (é necessária uma atualização nas lojas Andante ou Payshop), "este é um primeiro passo muito importante, é um incentivo muito importante para que comece a haver uma mudança de paradigma na vida das pessoas, em que o transporte individual passa a ser supletivo e o meio essencial prioritário de transporte na cidade seja o transporte público".

"Esta mudança de paradigma vai demorar certamente muitos anos, mas é com estes incentivos que vamos conseguir concretizar que tal venha um dia a acontecer", disse.

Quanto ao trânsito, a expectativa "não é que tenha um efeito imediato de transformação", mas o autarca referiu que quer "começar a mudar" o paradigma.

"Temos uma ideia de cidade que aposta na qualidade de vida, no bem-estar individual de cada um e no bem-estar de nós enquanto comunidade, e para isso nós não podemos ter uma cidade que é composta por automóveis parados no trânsito. Isso é a antítese do bem-estar", considerou.

O objetivo é que "o espaço público seja usufruído pelas pessoas", evitando estar "a buzinar" e "a bufar" dentro dos carros pelo tempo perdido no trânsito.

Além de mencionar a intenção de aumentar as faixas BUS no concelho em seis quilómetros até ao final do ano, para um total de 22, o autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL disse que agora vai "poder tomar algumas medidas que, em certo sentido, não sejam tão simpáticas ou tão amigas do automóvel, tendo agora uma legitimidade acrescida, é que a Câmara está a oferecer transportes gratuitos a quem precisar".

Questionado também sobre o alcance desta medida para a Área Metropolitana do Porto (AMP), uma vez que apenas os residentes na cidade poderão beneficiar da gratuitidade, Pedro Duarte, que é presidente da AMP, disse que não pode "tomar decisões em nome dos outros presidentes de Câmara".

"Para termos uma estratégia metropolitana de transportes e de mobilidade é muito importante que todos adiram a esta ideia de que devem apostar no transporte público. A forma como o fazem, isso compete a cada um. Nós aqui no Porto estamos de facto a ir se calhar mais longe do que qualquer outro", reconheceu.

Porém, quanto a esta medida, "tomá-la em termos metropolitanos" não é possível, disse, reiterando que defende "que o país devia evoluir para um modelo diferente" com "um nível de poder político entre o poder autárquico e o poder central".

"Se tivéssemos, se calhar poderíamos ser mais ambiciosos nesta matéria. Enquanto não podemos, acho que o Porto pode servir como um piloto, uma semente que vai dar frutos e depois talvez os outros percebam que é uma medida que vale a pena também assumirem", afirmou.

Quanto à sustentabilidade financeira da medida, Pedro Duarte disse acreditar que os 20 a 25 milhões de euros estimados serão suficientes, mas admitiu, no futuro, subir a taxa turística para "os valores de Lisboa", ou seja, de três para quatro euros.

Já sobre se o dinheiro não será necessário para eventuais futuros investimentos na Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), Pedro Duarte afirmou que há um plano a 10 anos que já estava previsto antes desta medida.

"Esse plano é ambicioso e, portanto, perspetiva já um crescimento significativo de autocarros. Até porque, às vezes, há um pouco esta confusão, não é necessariamente através de mais autocarros que se vai resolver um problema de maior procura, porque depois os autocarros ficam eles próprios parados no trânsito", disse.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8