No domingo, o diretor da Aerogare das Lajes, Vítor Pereira, revelou à Lusa que o combustível que chegou à Terceira para abastecer a operação aérea civil "não cumpriu com os testes de qualidade e segurança que a Galp tem para o seu produto".
O PS/Açores exigiu esta segunda-feira um "esclarecimento cabal e muito claro" do Governo Regional e da República sobre a falha nos testes de qualidade e segurança do combustível para aeronaves no Aeroporto das Lajes, na ilha Terceira.
"Aquilo que se impõe é um esclarecimento cabal e muito claro sobre o que é que está na origem deste problema e que diligências têm de ser feitas para que isso não se volte a repetir, porque está em causa, naturalmente, o abastecimento das aeronaves civis e todos sabemos a importância e o peso que isso tem numa região como a nossa e numa ilha como a Terceira", disse à agência Lusa o líder parlamentar do PS açoriano, Berto Messias.
No domingo, o diretor da Aerogare das Lajes, Vítor Pereira, revelou à Lusa que o combustível que chegou à Terceira para abastecer a operação aérea civil "não cumpriu com os testes de qualidade e segurança que a Galp tem para o seu produto" e que a empresa optou por "não colocar este produto no mercado, porque não estavam garantidas as condições de segurança para a aviação civil".
O responsável assegurou, no entanto, que a infraestrutura tinha reservas que permitiam garantir que a operação prevista não iria "sofrer alterações", embora tivessem sido tomadas medidas de precaução.
Berto Messias referiu que o PS acompanha a situação com preocupação e que o esclarecimento é mais necessário tendo em conta "todas as questões" recentes relacionadas com a Base das Lajes e por considerar os esclarecimentos, "normalmente parcos e contraditórios, da parte do Governo Regional e do Governo da República".
"Veja-se, por exemplo, a recente polémica depois das declarações do secretário norte-americano, Marco Rubio, e de todas as contradições identificadas com aquela que foi a posição do Governo da República", referiu.
Para o PS, "aquilo que se exige de imediato é um esclarecimento público claro e inequívoco por parte quer do Governo da República, quer também do Governo Regional. E isso, infelizmente, ainda não aconteceu".
"É certo que já se elogiaram as respostas que foram dadas, mas ninguém explicou o que é que está na origem deste problema e como é que é possível que isso não se volte a repetir. E é aí que eu acho que devem estar todas as preocupações", concluiu Berto Messias.
A Lusa está a pedir reações aos vários partidos com assento parlamentar sobre o assunto.
O Chega e o PAN indicaram que não se pronunciam, enquanto fonte do PSD referiu que o partido "não tem nada a acrescentar àquilo que o presidente do Governo Regional [PSD/CDS-PP/PPM, o social-democrata José Manuel Bolieiro] disse".
O BE/Açores pediu no sábado "esclarecimentos imediatos" do Governo Regional e da República sobre a suspensão do abastecimento civil de aeronaves na Base das Lajes.
Esta segunda-feira, o presidente do Governo Regional dos Açores disse que o executivo mostrou capacidade de resposta perante a falha nos testes de qualidade e segurança do combustível para aeronaves no Aeroporto das Lajes, na ilha Terceira.
"Perante uma perturbação inesperada, nós tivemos, felizmente, capacidade de resposta e, portanto, está a ser tratado e creio que não haverá depois, no final, qualquer consequência", afirmou o chefe do executivo açoriano, em declarações aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Segundo o governante, o executivo deu uma "resposta imediata", com o transporte de combustível da ilha de São Miguel para a ilha Terceira e com a limpeza dos tanques para a retoma da operação, cumprindo "tudo o que tecnicamente é adequado".
Uma fonte da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas assegurou esta segunda-feira à Lusa que a situação "está acautelada" e revelou que saiu de Ponta Delgada um navio com 80 mil litros de combustível.
"O navio Margarethe saiu hoje, pelas 12h00, de Ponta Delgada", na ilha de São Miguel, "com destino à Terceira, transportando 80 mil litros de combustível", devendo atracar ao final do dia, adiantou.
Entretanto, "de acordo com o fornecedor, o navio com combustível com origem no porto de Sines deverá descarregar no fim desta semana na Terceira", acrescentou o Governo açoriano.
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