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PS acusa executivo de atuar com base no "ilusionismo" e desafia-o a deixar "governança do retrovisor"

Partido acusou o executivo de esquecer as promessas da campanha e desafiou-o a deixar de culpar anteriores governos socialistas pelos problemas do país.

26 de março de 2026 às 19:09

O PS acusou esta quinta-feira o executivo PSD/CDS de atuar nos últimos dois anos com base no "ilusionismo", esquecendo promessas da campanha, e desafiou-o a deixar de culpar anteriores governos socialistas pelos problemas do país.

"Dois anos depois estamos pior, e não é a oposição que o diz, é o país real que o afirma. Os estudos não mentem e o descontentamento é transversal", acusou o deputado socialista Armando Mourisco, durante o período de declarações políticas na Assembleia da República.

O socialista escolheu como tema os dois anos do Governo PSD/CDS, que se assinalam no próximo dia 02 de abril, considerando que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, apresentou diversas "soluções mágicas" durante a campanha eleitoral, mas tinham "prazo de validade".

"Expiraram quando tomaram posse como Governo. Ao contrário de magia, tivemos ilusionismo", criticou o socialista.

Armando Mourisco identificou problemas na saúde, "onde se vive um estado de urgência permanente", na habitação, setor no qual "o preço das casas e rendas atingiu níveis pornográficos", mas também na "estagnação da economia, com um crescimento curto de 2% à custa do consumo".

"A taxa de poupança das famílias recuou. A carga fiscal aumentou. São dados do INE [Instituto Nacional de Estatística], são números reais", afirmou.

Fazendo referência ao excedente orçamental de 0,7%, o deputado argumentou que este se deve a três fatores: o aumento de contribuições para a Segurança Social, "falta de investimento" e "aumento dos impostos".

O deputado visou ainda o Governo por tardar nos apoios após as tempestades e nas medidas de combate ao aumento do custo de vida devido ao conflito no Médio Oriente.

"É tempo de deixar a governança do retrovisor. É tempo do Governo e da maioria que o apoia deixar de conduzir o país a olhar para trás. Talvez para não ter de encarar o desastre que tem pela frente e fazer aquilo que lhes compete: governar a bem de Portugal e dos portugueses", rematou.

Na resposta, o deputado Hugo Carneiro, do PSD, acusou o socialista de se juntar "aos profetas da desgraça do PS", grupo no qual incluiu o líder do partido, José Luís Carneiro, o parlamentar António Mendonça Mendes, o ex-deputado Fernando Medina, e o ex-governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, "que disseram que em 2025 íamos ter défice e não temos".

Hugo Carneiro apontou ainda que o Governo "já baixou os impostos em mais de três mil milhões de euros", negando um aumento da carga fiscal em impostos.

O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, acusou o PS de ser também responsável pelos problemas do país, fazendo referência à falta de médicos de família e ao abandono do interior do país.

Rodrigo Saraiva, da IL, acusou os socialistas de terem estado "oito anos com a troika na boca" e pediu que todos os partidos que têm ou tiveram responsabilidades políticas nos 50 anos de democracia assumam as suas atuações, deixando de "apontar o dedo uns aos outros".

Pelo Livre, Tomás Cardoso Pereira, e pelo PCP, Paula Santos, concordaram com o diagnóstico feito pelo PS, mas perguntaram aos socialistas por que razão viabilizaram Orçamentos do Estado do atual executivo.

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