page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

PS Lisboa considera "politicamente grave" abandono de projeto de residência universitária em Lisboa

Executivo camarário do PSD e CDS-PP abandonou projeto, que previa uma residência com capacidade para cerca de 600 estudantes.

02 de fevereiro de 2026 às 21:34

O PS na Assembleia Municipal de Lisboa considerou esta segunda-feira "politicamente grave" a decisão do Governo de PSD/CDS-PP de abandonar o projeto para uma residência universitária na antiga sede do Ministério da Educação, exigindo esclarecimentos do presidente da câmara.

"Estudar em Lisboa, a capital do país, tornou-se um encargo demasiado pesado para milhares de famílias. [...] Num contexto destes, desperdiçar um edifício público que estava destinado a uma residência universitária, com capacidade para cerca de 600 estudantes, numa localização estratégica da cidade, é uma decisão politicamente grave", criticou o líder do grupo municipal do PS, Pedro Pinto de Jesus.

Num requerimento para saber qual o posicionamento do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), sobre o destino da antiga sede do Ministério da Educação, na Avenida 5 de Outubro, o PS reforçou que "a eventual perda desta resposta pública [de residência universitária] constitui uma decisão com impacto urbano e social significativo, num contexto de grave escassez de alojamento estudantil em Lisboa".

Em causa está a decisão do Governo de permuta da antiga sede do Ministério da Educação por dois edifícios da Universidade Aberta na zona do Príncipe Real. A permuta prevê o pagamento de 5,3 milhões de euros e a entrega de dois edifícios onde a Universidade Aberta funciona atualmente na zona do Príncipe Real, em Lisboa: o Palácio Ceia, atual sede da instituição, e outro edifício na Rua da Imprensa Nacional.

Perante esta decisão, o PS sublinhou que o edifício da Avenida 5 de Outubro deixará de ser afeto a residência universitária, função para a qual estava previsto desde 2019, no âmbito do Plano Nacional de Alojamento no Ensino Superior, "apesar de existir um projeto aprovado e enquadramento para financiamento público".

Em 2018, quando o Ministério da Educação saiu da Avenida 5 de Outubro, o então Governo PS anunciou que o edifício seria transformado numa nova residência para cerca de 600 alunos do ensino superior, com quartos a rondar os 200 euros.

As obras nunca avançaram e o edifício de 13 andares permaneceu fechado desde então, sendo que, em outubro de 2024, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, que integra o Governo PSD/CDS-PP, explicou que a requalificação do edifício para efeitos de alojamento estudantil seria demasiado dispendiosa, devido às características estruturais do imóvel.

Em comunicado, o PS na Assembleia Municipal de Lisboa defende que a utilização do património público deve responder às necessidades mais urgentes da cidade e considera que, num momento em que estudar na capital se tornou "financeiramente incomportável para muitos jovens", a defesa do alojamento estudantil público "é uma questão de igualdade de oportunidades, coesão territorial e justiça social".

Os socialistas referem ainda que, segundo notícia do jornal Expresso em 29 de janeiro, três instituições de ensino superior públicas -- Universidade Nova de Lisboa, ISCTE e Instituto Politécnico de Lisboa -- apresentaram ao Governo, em 2025, uma proposta para a criação de uma residência estudantil na antiga sede do Ministério da Educação, mas nunca obtiveram resposta.

"Sabendo-se agora que o edifício terá outro destino que não habitação ou alojamento estudantil, mas a instalação da sede de uma entidade privada (Universidade Aberta), ignorando-se as necessidades de alojamento estudantil e a grave crise de acesso à habitação em Lisboa", critica.

Neste âmbito, o PS exige "esclarecimentos cabais" de Carlos Moedas (PSD) sobre as diligências desenvolvidas pela câmara para viabilizar a reconversão do edifício em residência universitária, o conhecimento e a posição do executivo municipal face à proposta das universidades, a eventual consulta do município sobre a alteração do destino do imóvel e a compatibilidade desta decisão com as prioridades afirmadas em matéria de habitação, alojamento estudantil e coesão social.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8