"O objetivo é clarificar a situação", explicou o deputado do PS Carlos Pereira.
O PS pediu, esta segunda-feira, a audição parlamentar do Instituto Nacional de Estatística (INE) para que o debate público sobre as estimativas da população seja feito "com prudência e rigor", criticando "contas muito primárias" feitas por governantes sobre estes dados.
"O objetivo é clarificar a situação, poder analisá-la com prudência e com rigor e sublinhar o respeito total pela independência da autoridade estatística, o INE. (...) As últimas duas semanas foram muito férteis do ponto de vista de conclusões sobre aquilo que foi a divulgação das estimativas de população residente em 2025 e portanto julgamos que é relevante criar condições para que todos percebam o que é que se está a passar", explicou, em declarações à Lusa, o deputado do PS Carlos Pereira.
Em causa, a atualização pelo INE do número de residentes em Portugal para 11.424.031 pessoas, graças à contabilização de 1.597.539 pessoas estrangeiras, considerando o socialista que é importante que este instituto possa explicar não apenas à Assembleia da República, mas também à população em geral, que "metodologia utilizou e que dificuldades teve".
"Uma das questões relevantes é ter visto alguns comentadores, mas também alguns políticos, e provavelmente é mais grave ter ocorrido por alguns políticos, até o próprio ministro a fazer contas muito primárias, permita-me a expressão, basicamente a dividir o PIB que hoje conhecemos, aquele que apenas hoje conhecemos, pela população nova que foi apresentada pelo INE", criticou, referindo-se às declarações de António Leitão Amaro
Para Carlos Pereira, isto é "pouco prudente e até irresponsável", considerando que o ministro "sabe que esta circunstância da alteração da avaliação do número de população em Portugal tem consequências também na avaliação do crescimento da riqueza".
"Eu não tenho muitas dúvidas, ainda sem o INE ter feito as suas contas finais, de que haverá um impacto positivo no PIB e que haverá uma revisão em alta do PIB. Se me perguntar qual será a dimensão dessa revisão, eu não faço a mínima ideia, por isso é que é preciso prudência na avaliação destas matérias", defendeu.
O deputado do PS quer compreender todo o processo desta revisão e saber "se houve ou não houve dificuldades na partilha de informação".
"Porque uma das questões que se colocou, e que está na nota técnica, tem a ver com essa partilha de informação entre a AIMA e o INE. O INE chegou mesmo a dizer que teve algumas dificuldades em ter essa informação", justificou.
Para Carlos Pereira, "esta audição é muito relevante" para que se possa estabilizar "a análise que tem vindo a ser feita sobre esta matéria".
"E termos prudência sobre aquilo que são as conclusões que se possam tirar sobre políticas públicas do passado, tendo em conta que estes indicadores", disse.
Na mesma linha do que o ex-ministro das Finanças Mário Centeno disse nas jornadas parlamentares do PS, para o deputado socialista "é mais ou menos consensual que era percetível" que a população da série de 2021 "estava desfasada daquilo que era a realidade".
"Nós precisamos saber também o restante calendário das próximas revisões porque é muito importante as revisões das séries e, portanto, perceber como é que isso vai ser feito. É preciso não esquecer que nós temos um Orçamento de Estado à porta, que precisa de dados que sejam sólidos e que nós todos tenhamos confiança neles", defendeu ainda.
No requerimento, o PS refere que quer ouvir o presidente do INE e que caso António Rua entenda pode fazer-se acompanhar pela diretora do departamento de Estatísticas Demográficas e Sociais e pelo diretor do departamento de Contas Nacionais para falar sobre as estimativas de população residente de 2025, a revisão das séries de 2021 a 2024 e respetivas implicações estatísticas, económicas e orçamentais.
A divulgação destes dados já levou o PSD a anunciar o pedido de audições parlamentares de ex-ministros do PS sobre este tema.
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