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Correio da Manhã

Política
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PSD defende que Portugal deve manter "ótimas relações" com Estado brasileiro

Presidente da Comissão de Relações Internacionais do PSD referiu que o Brasil é "um país muito importante para Portugal".
29 de Outubro de 2018 às 00:23
PSD
Rui Rio
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O dirigente do PSD Tiago Moreira de Sá defendeu este domingo que a eleição de Jair Bolsonaro como Presidente do Brasil em nada altera o relacionamento bilateral e que Portugal deve manter "ótimas relações" com o Estado brasileiro.

Em declarações à agência Lusa, Tiago Moreira de Sá, que preside à Comissão de Relações Internacionais do PSD, escusou-se a comentar o discurso ou as propostas de Jair Bolsonaro, invocando o princípio da "não intromissão na vida política de outros Estados".

"Ganhasse quem ganhasse, Haddad ou Bolsonaro, Portugal deve manter ótimas relações com o Estado brasileiro, independentemente de quem é o seu Presidente", defendeu.

Tiago Moreira de Sá argumentou que "as relações entre os países são relações Estado a Estado, não são relações entre a pessoa A e a pessoa B e essas relações permanecem, com base nos interesses e nos valores comuns, mas sobretudo nos interesses comuns, independentemente dos candidatos que ganham eleições".

"Neste caso, o Bolsonaro é o Presidente eleito democraticamente do Brasil. As relações entre Portugal e o Brasil mantêm-se inalteradas e Portugal tem de ter uma boa relação com a atual presidência do Brasil", acrescentou o professor universitário, doutorado em História das Relações Internacionais.

"Agora Bolsonaro é o presidente democraticamente eleito do Brasil", salientou.

O presidente da Comissão de Relações Internacionais do PSD referiu que o Brasil é "um país muito importante para Portugal, porque é um país lusófono, porque é um país que tem uma grande comunidade portuguesa e lusodescendente".

Portugal mantém com o Brasil "uma longa relação, bilateral e multilateral, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)", bem como "importantes relações económicas", realçou.

Interrogado se o seu partido está preocupado com o futuro da democracia brasileira, Tiago Moreira de Sá respondeu que "o PSD não se intromete na vida política interna dos outros países, muito menos de países amigos como o Brasil".

Em relação ao conteúdo político da candidatura de Jair Bolsonaro, Tiago Moreira de Sá nada quis dizer, insistindo que "as relações entre os países são relações Estado a Estado".

"Em relação à vida política interna dos outros Estados, nunca nos pronunciámos e não faz sentido os países estarem a pronunciar-se sobre a política interna dos outros países. É um princípio de respeito pela soberania dos Estados, que se traduz na não intromissão na vida política de outros Estados", sustentou, acrescentando que "isto é válido para o Brasil, como é válido para qualquer outro país".

O candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL) venceu este domingo a segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, registando 55,6% dos votos quando estavam 92,08% das secções de voto apuradas, sendo eleito Presidente da República Federativa do Brasil.

A segunda volta das eleições presidenciais no Brasil foi disputada entre Jair Bolsonaro, de 63 anos, capitão do Exército na reserva e deputado federal há 27 anos que passou por diversas forças políticas e este ano se filiou no PSL, e Fernando Haddad, de 55 anos, professor universitário, do PT, que foi ministro da Educação nos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff e prefeito de São Paulo.

Jair Bolsonaro, que elogia o período de ditadura militar no Brasil e se declarou "favorável à tortura", tinha sido o candidato mais votado na primeira volta das presidenciais brasileiras, no dia 07 de outubro, com cerca de 46% dos votos, e liderou sempre as sondagens contra o seu adversário Fernando Haddad na segunda volta.

Haddad foi indicado como candidato do PT à presidência há um mês e meio, após o antigo Presidente Lula da Silva, que cumpre pena de prisão de doze anos, condenado por corrupção passiva e branqueamento de capitais, ter sido impedido pelo Tribunal Superior Eleitoral de se recandidatar nestas eleições.
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