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Correio da Manhã

Política
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Salgado suspeito de trinta crimes

Auditoria apura infrações de desobediência a ordens.
António Sérgio Azenha e Diana Ramos 6 de Março de 2015 às 08:30
Ricardo Salgado foi líder executivo do BES durante 21 anos
Ricardo Salgado foi líder executivo do BES durante 21 anos FOTO: Miguel A. Lopes / Lusa

A administração de Ricardo Salgado cometeu, segundo a auditoria forense do Banco de Portugal (BdP), um total de 30 potenciais crimes no BES, dos quais quatro considerados de gestão ruinosa.

Com tão elevado número de suspeitas, o ex-líder do BES, se for condenado nos processos de contraordenação que o BdP tem em curso, corre sérios riscos de sofrer uma coima que pode ir até aos 10 milhões de euros. Salgado afirmou ontem, em comunicado, que espera que "um dia lhe venha a ser dado um efetivo direito ao contraditório e a uma defesa com a mínima igualdade de armas".

O maior número de potenciais infrações diz respeito à desobediência que a administração de Ricardo Salgado manifestou, entre dezembro de 2013 e julho de 2014, face às ordens do BdP. Por exemplo, nesse período, segundo a auditoria, a exposição do Grupo BES ao ES Panamá e à Espírito Santo Financière (ESFIL) aumentou 579,2 milhões de euros, e estas duas entidades financeiras, por seu lado, aumentaram a sua exposição à Espírito Santo International (ESI), empresa que esteve na origem da derrocada do GES, em mais de 699 milhões de euros.

Já os potenciais crimes de gestão ruinosa envolvem as cartas de conforto do BES a duas entidades da Venezuela em junho de 2014, os financiamentos a entidades do ramo não financeiro do GES após 4 de junho de 2014 e ainda os financiamentos a entidades financeiras do GES que não integram o Grupo BES após 30 de junho de 2014. A auditoria apurou ainda indícios de infrações relativas à falta de controlo interno do BES na concessão de financiamentos. Salgado já garantiu que não irá interferir nos trabalhos da comissão de inquérito nem noutras investigações.

A auditoria do BdP não faz referência a eventuais responsabilidades criminais. O documento indica que o Departamento Central de Investigação e Ação Penal está a investigar indícios de crimes que são objeto da auditoria forense e estão em segredo de justiça. Burla, infidelidade e favorecimento de credores serão alguns dos crimes praticados pela ex-administração do BES. 

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