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Sócrates lança ataque a Costa: Primeiro-ministro "maldiz" Governo no qual também participou

Ex-primeiro-ministro acusa António Costa de diabolizar a sua maioria absoluta obtida em 2005.

31 de agosto de 2019 às 09:38

O antigo primeiro-ministro e secretário-geral do PS José Sócrates não deixou as últimas declarações de António Costa sem resposta e, num ataque duro e cerrado, acusou o atual chefe de Governo de de atacar a "história do Partido Socialista" e dos "anteriores governos socialistas". Para Sócrates, o líder socialista está a "diabolizar" a maioria absoluta que o próprio Sócrates conseguiu em 2005 e a esquecer-se que fez parte desse mesmo Governo."Começa a ser insuportável assistir, sem reagir, aos ataques que o líder do PS faz à história do Partido Socialista e aos anteriores governos socialistas", escreveu o antigo secretário-geral socialista, num artigo de opinião, com o título, "Sem querer ir mais longe", publicado no Expresso. António Costa disse que "os portugueses têm má memória das maiorias absolutas, quer as do PSD quer a do PS", e Sócrates acusa Costa de estar a "desmerecer" a única maioria absoluta que o PS obteve em democracia. José Sócrates obteve em 2005 a primeira e única maioria absoluta para o Partido Socialista em eleições legislativas. António Costa fez parte do Governo socialista liderado por José Sócrates, sendo o número dois do executivo como ministro de Estado e da Administração Interna até maio de 2007."Nunca pensei que as coisas chegassem a este ponto. Nunca me ocorreu vir a encontrar-me na desconfortável situação de ter que recordar a alguém que o governo que agora maldiz foi, afinal, um governo no qual participou", atirou Sócrates, num ataque claro a Costa, acrescentando: "Também nunca imaginei que alguém pudesse conceber como estratégia para ter maioria absoluta, desacreditá-la enquanto solução política." "No fundo, o que parece querer dizer é que todas elas são horríveis — com exceção daquela que ele próprio obterá e que se diferenciará das outras justamente por ter sido obtida escondendo essa ambição e até negando esse propósito. É talvez a isto que chamam estratégia", ironizou ainda.No seu texto, uma espécie de defesa da honra, Sócrates recorda ainda que nunca pediu nenhum "apoio à direção do PS", mas que não esperava o cenário atual "Nunca esperei que esta me atacasse de forma tão injusta,  ensaiando, agora, ao que parece, um segundo andamento — a diabolização dos seus próprios governos", rematou.José Sócrates é um dos 28 arguidos - 19 pessoas e nove empresas - do processo Operação Marquês e está acusado de corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada.

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