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Vaz Pinto incomoda Pedro Silva Pereira

A menos de um mês de abandonar as funções de Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, o padre Vaz Pinto colocou o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Pedro Silva Pereira, responsável pela tutela da política de imigração e minorias étnicas, perante uma situação política incómoda.

24 de junho de 2005 às 00:00

Com o comunicado publicado ontem no CM, em que considera “erradas” as informações veiculadas pela Comunicação Social sobre o ‘arrastão’ na praia de Carcavelos e critica a CP por causa das imagens de um assalto num comboio da Linha de Sintra passadas na SIC, o Alto Comissário provocou a indignação do PSD e CDS, partidos que admitem pedir a presença do padre Vaz Pinto na Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias.

O padre Vaz Pinto diz que o comunicado “é uma tentativa para que os casos na Comunicação Social sejam devidamente tratados”, mas PSD e CDS não fazem essa leitura. “Constata-se que a Presidência do Conselho de Ministros andou a dormir 11 dias e acordou agora para dar um raspanete à Comunicação Social”, disse ontem ao CM o Comandante Azevedo Soares, membro da Comissão Política do PSD.

Para o dirigente social-democrata, a leitura política a retirar do comunicado só pode levar a pensar que “isto é uma brincadeira”, até porque “a ideia é desvalorizar os factos” e parece que “esta entidade governamental não quer que se conheçam os factos no País”. Dado que o conteúdo do comunicado “é grave”, o PSD, segundo Azevedo Soares, “vai chamar o Alto Comissário à Comissão Parlamentar de Liberdades e Garantias, para explicar o motivo do comunicado e porquê agora”.

Já o PS, pela voz de Arons de Carvalho, considera que “o comunciado não é ilegítimo”, dado que “é um ponto de vista como outro qualquer”. Por isso, “não considero que tenha relevo suficiente para o Alto Comissário ser chamado à Comissão Parlamentar”.

O CDS admite também chamar o padre Vaz Pinto ao Parlamento, um assunto que estava na agenda da reunião de ontem da Comissão Executiva do partido. “Não concordamos que o Alto Comissário procure, de alguma forma, solicitar que sejam corrigidas notícias e repreender os jornalistas”, diz Pedro Melo.

Do conteúdo do comunicado, o democrata-cristão destaca “a crítica ao comando da PSP”, que “não faz sentido”. E sublinha, assim como Azevedo Soares, que “o Governo deverá ser informado sobre o conteúdo” deste tipo de comunicados. “Seria muito estranho que este comunicador tivesse vindo a público sem ser dado a conhecer ao ministro” da Presidência do Conselho de Ministros. “Não preciso de informar, faz parte da minha competência, mas informei [o Governo]”, garante o padre Vaz Pinto. Até ao fecho desta edição, não foi possível ouvir o ministro da Presidência.

QUEIXA NA PROCURADORIA

O Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas apresentou ontem uma queixa na Procuradoria-Geral da República. O objectivo é, segundo o padre Vaz Pinto, “saber como é possível passar na televisão filmagens que são secretas e não pertencem à Comunicação Social, mas à CP e à Polícia (aparelhos de vigilância dos comboios).

Foram também pedidos ao Comando-Geral da PSP, para que sejam prestados esclarecimentos sobre o ‘arrastão’, e à Alta Autoridade para a Comunicação Social. Vaz Pinto considera que é preciso assegurar “a definição de um código de conduta para o tratamento da informação sobre a imigração e minorias étnicas em notícias que possam ser altamente lesivas da honra e da tranquilidade das pessoas”. Ao que o CM apurou, José Falcão, do SOS Racismo, votou contra o comunicado aprovado.

Vaz Pinto abandona o cargo em Julho, por “razões pessoais”.

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