Viagem ao Mundial para ver a Seleção esteve na origem da indisposição do Presidente da República.
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Foi um cocktail explosivo a causar o desmaio do Presidente da República, este sábado, no Bom Jesus, em Braga.
Fonte clínica do Hospital de Braga disse ao CM que a quebra de tensão que indispôs Marcelo Rebelo de Sousa se deveu a uma gastrenterite causada pelo que comeu na Rússia, ou no avião de regresso a Portugal, associado ao jet lag, ao cansaço decorrente da sobrecarregada agenda dos últimos dias e ao intenso calor que este sábado se fazia sentir na cidade dos arcebispos. A mesma fonte referiu que Marcelo vai ter de abrandar o ritmo.
O presidente chegou sorridente ao Bom Jesus. Após a subida no velho funicular, espreitou as obras na capela da Última Ceia e dirigiu-se a pé à Basílica. Uma distância curta, mas sob um sol tórrido. Ao contrário, lá dentro, estava fresco. Dez minutos depois, à saída, quando o relógio marcava 12h40, Marcelo Rebelo de Sousa desmaiou.
"Vocês não me arranjam um copo de água? Estou a sentir-me um bocadinho mal", disse o Presidente, desfalecendo de seguida. O assessor Ricardo Branco ouviu o pedido e abeirou-se, de imediato, de Marcelo, acabando por impedir a queda desamparada do Presidente.
Varico Pereira, da Mesa da Confraria do Bom Jesus, também ajudou, assim como o presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio. O autarca, aliás, pegou num braço no transporte de Marcelo para o Hotel do Templo, onde recebeu os primeiros socorros do INEM.
Por precaução, foi transportado ao Hospital de Braga.
Os médicos administraram um sonífero, para que o Presidente descansasse, ao mesmo tempo que realizaram os necessários exames médicos. Teve alta pelas cinco da tarde.
"Estou bem. Tive uma gastrenterite aguda, vulgo intoxicação alimentar, que causou desidratação e uma queda abrupta de tensão", disse Marcelo, à saída do hospital. Regressou a Lisboa de avião.
Um chefe de Estado "hipocondríaco"
Por várias vezes o chefe de Estado se assumiu hipocondríaco. "Acompanho permanentemente a saúde, medindo a tensão e a temperatura", disse numa entrevista.
Só o médico é capaz de parar Marcelo
Marcelo já se sentia indisposto no dia de véspera, mas não quis cancelar a visita ao Bom Jesus. Ao que o CM apurou só mesmo o médico Daniel de Matos é capaz de parar a vida frenética do PR.
Cavaco desmaiou durante o 10 de junho
O desmaio de Marcelo quando cumpria a agenda oficial não é caso único. Em 2014, foi Cavaco Silva quem teve uma reação vagal.
Durante o discurso das cerimónias militares do 10 de junho, na Guarda, as palavras do então chefe de Estado começaram a arrastar-se, até que Cavaco Silva interrompeu a intervenção. Ao fundo, ouviam-se protestos de professores. Cavaco cambaleou ligeiramente, sendo amparado pelo então chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas, Pina Monteiro.
Juntaram-se depois outros militares e elementos do corpo de segurança, que o transportaram para as traseiras da tribuna de honra, onde foi assistido. Retomou depois o discurso e concluiu-o. Quase 20 anos antes ocorreu um episódio semelhante.
Durante a tomada de posse de Guterres, Cavaco, primeiro-ministro cessante, perdeu a força nas pernas e foi transportado para fora da sala.
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