Cinco detidos em operação da PJ contra grupo suspeito de legalização fraudulenta de imigrantes

Investigação foi iniciada em setembro de 2025. Grupo operava em Portugal há vários anos.

08 de julho de 2026 às 14:41
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Cinco pessoas foram detidas, esta terça-feira, na sequência de uma operação da Polícia Judiciária para desmantelar um grupo criminoso suspeito de legalizar de forma fraudulenta milhares de imigrantes em Portugal.

A operação, desencadeada nas zonas de Cantanhede, Pombal, Alcobaça e Porto, levou ao cumprimento de mandados de detenção fora de flagrante delito, emitidos pelo DIAP Regional de Coimbra, e dos quais resultaram a detenção de dois homens e duas mulheres, entre os quais três empresários e o Chefe de um Serviço de Finanças da região Centro. O quinto detido foi um homem por posse de arma proibida.

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Em comunicado, a PJ explica que a investigação foi iniciada em setembro de 2025 e que este grupo operava em Portugal há vários anos.

"Os suspeitos atuavam movidos pelo propósito de obter elevados proventos financeiros, recorrendo, para o efeito, a elaboradas estratégias destinadas a dissimular a sua atuação e a ludibriar diversas instituições do Estado português", pode ler-se no comunicado.

As vítimas, imigrantes, mostraram-se dispostas a pagar elevadas quantias monetárias para obter a documentação que necessitavam para a regularização no País, na esperança de uma qualidade de vida melhor.

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Segundo o diretor da PJ do Centro, apenas uma das empresas envolvidas -- do empresário detido -- terá sido responsável pela emissão de recibos no valor de 1,5 milhões de euros. A "grande maioria" dos imigrantes que pagou por estes serviços "não está sequer em Portugal", encontrando-se sobretudo a viver na Bélgica, França e Suíça, acrescentou.

Avelino Lima afirmou que poderão estar em causa perto de dez mil imigrantes associados a este grupo, mas admitiu que o número ainda está a ser apurado, recordando que há processos iniciados em 2022.

No entanto, apenas uma das pessoas detidas "era representante de mais de 3500 imigrantes", salientou.

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Avelino Lima considerou que este tipo de investigação é "extremamente complexa e exigente", referindo que, além do crime de auxílio à imigração ilegal, poderão estar em causa crimes como corrupção ativa, passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

O diretor da PJ do Centro alertou para a capacidade que estes grupos têm para se infiltrarem em estruturas do Estado -- face aos proveitos económicos que geram.

No entanto, Avelino Lima realçou que a PJ e a Justiça têm feito "o seu caminho", considerando que todos os institutos públicos "têm que estar preparados e atuar em conformidade".

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"Estamos a falar de uma atividade que, tendo em vista aquilo que é obtido ou tentado obter pelas organizações criminosas, vão tentar sempre conseguir infiltrar-se em três organismos: Finanças, Segurança Social e AIMA [Agência para a Integração Migrações e Asilo]", vincou.

Nas 16 buscas realizadas foram apreendidos documentos, equipamento informático, três armas de fogo e cerca de 50 mil euros em numerário. 

Os detidos, sem antecedentes criminais e com idades compreendidas entre os 33 e os 55 anos, serão agora presentes a tribunal para primeiro interrogatório judicial, com vista à aplicação das medidas de coação adequadas. 

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