Menor portuguesa forçada a trabalhar em explorações agrícolas
Rede fez 30 vítimas e começa a ser julgada por tráfico humano.
Seis homens e uma mulher, com idades entre os 24 e os 58 anos, começam esta segunda-feira a ser julgados no Tribunal de Coimbra por tráfico de pessoas para exploração laboral e detenção de arma proibida.
O Ministério Público (MP) diz que a rede privava as pessoas de liberdade.
Os crimes ocorreram durante seis anos e só terminaram no final do ano passado, quando a rede foi desmantelada. Segundo a acusação, os arguidos "enganavam cidadãos portugueses com promessas de emprego bem remunerado em Espanha".
O MP entende que "as pessoas eram levadas contra a sua vontade e, com recurso à força física, obrigadas a trabalhar em explorações agrícolas", onde permaneciam em cativeiro, sem qualquer tipo de condições sanitárias e sem receberem dinheiro.
A operação denominada LUSAR envolveu a Guardia Civil de Espanha e a Polícia Judiciária portuguesa coordenadas pela Eurojust.
Culminou em novembro do ano passado, com buscas domiciliárias e não domiciliárias, em Belmonte, Covilhã e Santa Comba Dão, e em Espanha, na zona de Segóvia, com recurso a mandados de detenção europeus e nacionais emitidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra.
Resultou na detenção de cinco portugueses, quatro em Espanha e um em território nacional. A operação permitiu identificar mais arguidos e cerca de 30 vítimas, entre os quais uma adolescente de 16 anos.
Parte das vítimas foram libertadas após a operação e depois de várias denúncias.
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