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GNR inventa multas para cilada violenta

Guarda principal quis vingar agressões ao pai e atraiu um vizinho para o posto de Amarante, onde foi espancado.

27 de julho de 2018 às 01:30

Ao ter conhecimento de troca de agressões entre o seu pai e um vizinho durante um ensaio do rancho, um guarda principal do posto da GNR de Amarante planeou durante dois anos e meio uma vingança, inventando para tal multas de estacionamento. Tudo para, em fevereiro de 2017, chamá-lo ao posto sob o pretexto de prestar declarações. No interior do mesmo agrediu violentamente o homem.

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GNR inventa multas para cilada violenta

O guarda principal e outros três militares que ajudaram na vingança foram agora acusados pelo Ministério Público.

Aos arguidos, que têm entre os 41 e os 49 anos, são imputados os crimes de ofensas à integridade física, coação, abuso de poder e ainda falsificação de documentos. Segundo o MP, o guarda principal forjou dois autos de contraordenação referentes a infrações de estacionamento, que, na realidade, nunca foram cometidas pela vítima.

Depois, elaborou um ofício a convocar o vizinho para se apresentar no posto. E foi aí, com a cumplicidade de colegas, que o guarda principal desferiu, de imediato, vários pontapés no homem, levando-o a cair da cadeira. Colocou, depois, o pé em cima do peito da vítima.

"Sei onde moram os teus filhos e sabes o que lhes pode acontecer (...) vais-te embora, mas é para estares caladinho, vais portar-te bem", ameaçou no final o guarda principal.

A vítima contou tudo a um familiar e decidiu fazer queixa. O CM contactou o Comando da GNR do Porto para perceber se os guardas foram alvo de um processo disciplinar, mas, até ao fecho da edição, não foi possível obter uma resposta.

PORMENORES 

Pagou multas

A vítima chegou a pagar 30 euros por cada multa forjada de estacionamento que recebeu. Numa das situações, o guarda principal esteve sempre no posto e por isso era impossível ter passado a multa.

Hospitalizados

As agressões em que a vítima e o pai do guarda principal se envolveram foram violentas, tanto mais que, segundo o Ministério Público, os dois homens receberam tratamento hospitalar.

Humilhação

Diz o Ministério Público que o guarda principal nunca perdoou o facto de o vizinho se ter envolvido em agressões com o pai, na sede de um rancho. Considerava que foi "uma humilhação pública".

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