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Actores da pornografia nacional não usam preservativo

Os actores da produtora portuguesa de cinema pornográfico Hot Gold não usam preservativos, mas são submetidos a "todo o tipo de testes". Porém, este método "não é seguro", alerta um médico. <br/><br/>

07 de novembro de 2010 às 11:38

Rui Simas, director de conteúdos do canal de cabo Hot Gold, da empresa com o mesmo nome, explica que é "política da empresa" não usar preservativo nas filmagens, justificada pela fraca "aceitação por parte do público", que prefere que este método contraceptivo e de prevenção não seja usado.

No entanto, garante aquele responsável, os actores pornográficos que  trabalham com a Hot Gold são submetidos a análises antes das filmagens.  "Sempre que há filmagens, num prazo de 30 dias antes das filmagens no máximo, fazem-se os exames que incluem todo o tipo de análises, são exames mesmo completos, a todas as doenças", garante Rui Simas, sem especificar o tipo de testes realizados.

Quem critica esta prática é o director do serviço de doenças infecciosas dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), Saraiva Cunha que é peremptório quando questionado sobre se é eficaz para travar doenças sexualmente transmissíveis: “Não, de maneira nenhuma”.

"O que é que acontece nesses 30 dias entre o teste e a gravação? Ninguém  sabe! Qual é a garantia de que nesses 30 dias a seguir ao teste o actor não se infectou?", interroga o professor. Saraiva da Cunha refere ainda que, "mesmo admitindo que os actores são  testados no próprio dia [das filmagens]" e que o "teste é negativo", isso  também "não dá segurança completa de que o actor não esteja no período janela, em que ele se infectou dois ou três dias antes e não há tempo de os testes virem positivos".

Ângelo Ferro, actor pornográfico "independente" que está nesta indústria há cerca de ano e meio, confirma que "nas filmagens, por norma, não é comum a utilização de preservativo ou outro meio contraceptivo e de prevenção", mas que a decisão "fica um pouco ao critério dos actores". Ângelo Ferro explicou à Lusa que faz "análises de despiste com alguma  regularidade e sempre antes de ir fazer algum filme" e que "há um controlo  muito grande" por parte das produtoras. "Sinto-me seguro, não menos seguro  do que qualquer pessoa que tenha cuidados inerentes aos actos sexuais praticados", garantiu.

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