O Tribunal de Mangualde condenou esta quarta-feira o luso-americano Allan Guedes Sharif a dez anos de prisão, pelo rapto de um empresário canadiano, extorsão, branqueamento e falsificação de documentos.
Allan Sharif - que não assistiu à leitura do acórdão - e mais oito arguidos foram nos últimos meses julgados pela co-autoria dos crimes de associação criminosa, rapto, extorsão, branqueamento e falsificação de documentos.
O tribunal considerou provado que Allan Sharif "elaborou um plano criminoso" para atrair o empresário Timothy Von Kaay a Portugal e obrigá-lo a fazer transferências bancárias de vários milhões de euros, tendo para isso reunido outros arguidos, "aliciados pelos elevados proventos".
Timothy Von Kaay chegou a Portugal a 15 de Fevereiro de 2007 e esteve em cativeiro dez dias, hospedado em várias unidades hoteleiras da Covilhã, Nelas, Viseu e Guarda. O dinheiro transferido terá ficado bem abaixo dos milhões de euros previstos, uma vez que, segundo o juiz, o total apurado foi de pouco mais de 159 mil euros.
O tribunal concluiu que não foi cometido o crime de associação criminosa, porque cada um teve apenas como objectivo o benefício pessoal.
Allan Sharif foi condenado pelos crimes de rapto qualificado, extorsão qualificada, branqueamento e falsificação de documentos, que resultou na pena única de dez anos de prisão. O seu tio, José Guedes, foi condenado a uma pena de sete anos e meio de prisão, pelos crimes de rapto qualificado, extorsão qualificada e branqueamento.
O juiz explicou que o tribunal considerou provado que José Guedes "tinha conhecimento do plano gizado pelo seu sobrinho" e que participou nele.
Em Agosto de 2010, Allan Sharif e o seu tio tinham já sido condenados a penas de prisão de 17 e 12 anos, respectivamente, pelos crimes de burla qualificada, extorsão e branqueamento de capital que lesaram instituições financeiras de vários países.
Também pelos crimes de rapto qualificado, extorsão qualificada e branqueamento foi condenado a seis anos de prisão Paulo Almeida, que teve um papel fundamental neste processo.
O juiz lembrou que foi Paulo Almeida quem "deu origem ao processo, auxiliando grandemente na fase de inquérito", apesar de depois não ter tido a mesma postura durante o julgamento, tentando "alijar de si responsabilidades".
Como não recebeu o dinheiro acordado, Paulo Almeida ameaçou denunciar o esquema, tendo Allan Sharif e Vítor Ribeiro "montado uma cilada", mandando-o para os Estados Unidos, para que fosse detido, referiu.
Paulo Almeida acabou por ser detido quando tentava assaltar um banco em Miami, ficou oito meses em prisão preventiva até ao julgamento, foi absolvido e regressou a Portugal, acrescentou.
Também Vítor Ribeiro foi condenado pelos crimes de rapto qualificado, extorsão qualificada e branqueamento, a uma pena de sete anos e meio de prisão.
Foram condenados a penas de prisão de cinco anos, suspensas por igual período, Paulo Menano, Carlos Matos e Eduardo Matos - que o tribunal considerou que tiveram "papéis secundários" -, todos pelos crimes de rapto qualificado, extorsão qualificada e falsificação de documentos.
Paulo Martins e Flávio Silva, que ficaram responsáveis por vigiar o empresário canadiano, foram condenados a um ano de pena suspensa pelo crime de sequestro.
O advogado de José Guedes, Ricardo Sá Fernandes, anunciou aos jornalistas que vai recorrer da decisão. "Estamos perante um conjunto de crimes extremamente graves, chocantes. Em face da gravidade, o tribunal até foi bastante benevolente na aplicação das penas. Apesar disso, no meio da enxurrada, condenou pelo menos uma pessoa inocente", considerou.
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