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Ameaça de bomba em Faro

Ana Mendes, funcionária administrativa do Jornal do Algarve, recebeu ontem de manhã uma chamada telefónica de um homem que, começando por falar em francês e depois em espanhol, disse que ia explodir uma bomba da ETA em Faro. A governadora civil convocou uma reunião extraordinária do Gabinete Coordenador de Segurança Distrital e foi decidido um reforço de vigilância em toda a região algarvia.

09 de outubro de 2007 às 00:00

“O homem falava com voz serena, com a convicção de alguém que quer transmitir uma mensagem. Mas havia muito ruído de fundo e a funcionária não percebeu o local exacto, o dia e a hora”, disse ao CM Fernando Reis, director do Jornal do Algarve.

“Este telefonema não merece grande credibilidade, mas não podemos descurar. As forças de segurança colocaram no terreno os meios necessários e fizeram as diligências adequadas à situação”, disse ao CM a governadora civil. Isilda Gomes esclareceu que a reunião do Gabinete Coordenador de Segurança Distrital foi decidida após contacto telefónico com o ministro da Administração Interna e admitiu que “houve um aumento da vigilância”.

O telefonema foi recebido pela funcionária do Jornal do Algarve entre as 09h10 e as 09h15. Foi muito rápido. Ana Mendes quis passar a um jornalista da redacção, mas a chamada caiu. “Estamos habituados a ouvir o andaluz e ela disse-me que o sotaque seria de um espanhol do Norte. Começou o telefonema em francês, mas mudou para espanhol. O que ela percebeu foi que a ETA ia explodir uma bomba em Faro”, disse Fernando Reis. As autoridades suspeitam que a chamada terá sido feita a partir de uma cabine telefónica de Madrid.

A ameaça surge num contexto de suspeita de que a ETA tenha uma base logística no Sul de Portugal. A descoberta de um carro de matrícula portuguesa com 130 quilos de explosivos em Ayamonte (21 de Junho) e o atentado em Durango com a fuga de etarras num carro português (24 de Agosto) adensaram essa suspeita. As autoridades espanholas têm reforçado as medidas de combate à ETA.

VIGILÂNCIA DISCRETA EM TODA A REGIÃO

A funcionária que recebeu o telefonema com a ameaça de bomba foi questionada ainda ontem de manhã nas instalações do Jornal do Algarve por agentes da PSP, por inspectores da PJ e por elementos do SIS.

A Directoria de Faro da PJ relatou a ocorrência à Direcção Central de Combate ao Banditismo, em Lisboa, a quem compete lidar com este tipo de ameaça e que pode mesmo já ter enviado inspectores para o Algarve. Os comandos da GNR em Faro e Portimão alertaram as patrulhas para estarem atentas a movimentações suspeitas e fizeram despistagem de potenciais alvos. Houve duas operações Stop na fronteira do Guadiana, uma de manhã e outra à tarde, mas já estavam programadas. A PSP admitiu reforço de controlo e vigilância mas não forneceu pormenores.

TINHA UMA GRANADA NO ARMAZÉM

Uma granada tipo morteiro foi recolhida ontem à noite nas Caldas da Rainha pela equipa de inactivação de engenhos explosivos da PSP de Leiria e Lisboa, para ser destruída. O engenho explosivo, que, segundo o comissário Vítor Trindade, comandante da PSP das Caldas da Rainha, podia ter carga activa, encontrava-se no armazém de uma propriedade agrícola no Bairro das Morenas, pertencente a João Maria Santos, 70 anos, reformado. “Foi um amigo que já morreu e gostava de velharias quem ma deu há mais de seis anos. Há dias contei a uma pessoa que tinha isto guardado e ela começou a meter-me medo e a dizer que era perigoso”, referiu o idoso. “Assim que eu comecei a ver que isto era perigoso, contactei a PSP das Caldas para a levar”, adiantou. Mas João Maria Santos “não estava era à espera de tanto aparato – polícias, bombeiros e moradores no bairro alarmados”. “Mas, ao mesmo tempo, estou satisfeito, porque assim libertei-me de uma coisa que tinha aí e que pensava que era inofensiva”, explicou. Os agentes policiais demoraram meia hora para recolher o objecto, que vai ser destruído em Lisboa.

1959 é o ano em que foi criada a ETA. É uma organização terrorista que pretende a criação de um estado independente no País Basco. Já fez mais de 800 vítimas mortais com os seus atentados.

2003 ano em que se deu a ilegalização do partido basco Batasuna, considerado o braço político da ETA. A decisão foi tomada pela Justiça espanhola.

CESSAR-FOGO

Ao longo da sua existência, a ETA declarou várias vezes tréguas na sua luta armada. O último cessar-fogo foi declarado em Março de 2006, mas seria violado no final de Dezembro, com um atentado que vitimou duas pessoas no Aeroporto de Barajas, em Madrid. A 5 de Junho do corrente ano anunciou a ruptura do cessar-fogo.

PORTUGAL E ESPANHA

Assinaram este mês, em Lisboa, um protocolo destinado à criação de equipas mistas de investigação para fazer face à ameaça terrorista, em especial a da ETA.

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