Segundo a APREN, 2025 marcou um recuo da produção e da incorporação de eletricidade de origem renovável e desaceleração na instalação de nova capacidade.
O abrandamento da instalação de energias renováveis em 2025 afastou Portugal das metas climáticas, num ano marcado pela redução da incorporação renovável e pelo aumento da produção a partir de gás natural após o apagão, segundo a APREN.
Segundo a análise da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), 2025 marcou "um ponto de inflexão no setor elétrico nacional", após vários anos de crescimento sustentado, com recuo da produção e da incorporação de eletricidade de origem renovável e desaceleração na instalação de nova capacidade.
De acordo com os dados divulgados, a incorporação renovável acumulada no consumo caiu para 68%, ficando abaixo do objetivo de 86% definido para 2025 e dos 93% previstos para 2030 no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC 2030), evidenciando "um desfasamento relevante" face às metas nacionais.
Em comunicado, a associação explica que esta redução resulta, em grande medida, do aumento da produção a partir de gás natural após o apagão registado em 28 de abril.
Em termos globais, a produção total de eletricidade em Portugal continental atingiu 48.903 gigawatts-hora em 2025, mais 7,2% do que no ano anterior, mas a quota de eletricidade de origem renovável recuou 4,9 pontos percentuais, para 75,6%.
"Pela primeira vez, desde 2022, assistimos a uma redução na incorporação renovável", refere a APREN, sublinhando que, entre maio e agosto de 2025, a produção dos ciclos combinados "quase quadruplicou" face ao período homólogo de 2024, com um aumento de 391%.
No que respeita às trocas internacionais de eletricidade, a associação refere que se observou uma redução do saldo importador face a 2024, com uma variação de -11,1%, passando de 10.442 gigawatts-hora para 9.284 gigawatts-hora, uma evolução que se afirmou "maioritariamente depois do apagão registado em abril,
Segundo a APREN, após esse evento verificou-se "uma interrupção temporária da utilização das interligações com Espanha", cuja retoma ocorreu de forma gradual e inicialmente com limitações de capacidade, o que contribuiu para um maior esforço de produção nacional.
A produção renovável foi assegurada sobretudo pelas centrais hídricas, com 29,7% da produção total, pela energia eólica, com 27,6%, e pela solar fotovoltaica, que representou 12,6%, correspondendo a 6.143 gigawatts-hora e a um aumento de 1,8 pontos percentuais face a 2024.
Apesar disso, a APREN alerta para um forte abrandamento da instalação de nova potência renovável, referindo que, com exceção do solar fotovoltaico, "as restantes tecnologias renováveis têm sofrido um abrandamento muito significativo na instalação de nova capacidade, tendo aumentado apenas 1,2 % de 2023 para 2024, e 0,03% de 2024 para 2025".
No caso do solar, entre janeiro e novembro de 2025 foram instalados 893 megawatts, abaixo dos 1,34 gigawatts registados no mesmo período do ano anterior, ainda que em junho esta fonte tenha sido, pela primeira vez, a principal tecnologia de geração elétrica, com uma quota de 21%.
Para o presidente da direção da APREN, Pedro Amaral Jorge, "o ritmo atual de crescimento da instalação de potência elétrica com base em fontes de energias renováveis está aquém do necessário para responder simultaneamente aos desafios climáticos, socioeconómicos e de competitividade das empresas do país".
O responsável acrescenta que "o setor da energia tem um potencial claro para se afirmar como um dos principais motores do desenvolvimento nacional, podendo representar entre 16% e 18% do PIB em 2035", mas isso exige "uma visão estratégica e decisões consistentes".
A associação destaca ainda que o aumento da produção elétrica de origem fóssil levou a um crescimento estimado de 36,5% das emissões de gases com efeito de estufa do setor eletroprodutor, passando de 1,82 milhões de toneladas de dióxido de carbono em 2024 para 2,9 milhões de toneladas em 2025.
Apesar do abrandamento registado, a APREN sublinha que as energias renováveis permitiram evitar, em 2025, a emissão de 10,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente e gerar poupanças de 710 milhões de euros em licenças de emissão, além de reduzir as importações de combustíveis fósseis em 873 milhões de euros.
A associação aponta como principais entraves ao crescimento a "ineficiência persistente" dos processos de licenciamento elétrico, ambiental e municipal, defendendo a necessidade de uma transposição eficaz da diretiva europeia das renováveis e de um enquadramento regulatório "estável e previsível" para acelerar o investimento.
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