Ana Isabel Fonseca
JornalistaJuíza não apresenta decisão sobre possível libertação de Fernando Madureira
Termina a sessão
Defesa pede libertação de Fernando Madureira. Juíza decide hoje
O advogado de Fernando Madureira faz um requerimento, onde dá conta de que terminadas as testemunhas de acusação já não há perigo de perturbação da conservação da prova. Indica ainda que já não há perigo de continuação da atividade criminosa, até porque Madureira já não é chefe da claque dos Super Dragões. O advogado refere também que não há perigo da paz pública. A defesa entende assim que não há fundamento para que ‘Macaco’ continue em prisão preventiva e que o julgamento tem demonstrado que a acusação não tem sustentação. “É uma medida desajustada e desadequada”, diz Miguel Marques Oliveira.
Pede assim que ‘Macaco’ seja libertado apenas com proibição de contactos com outros arguidos ou, em limite, com uma medida de apresentações periódicas. A juíza diz que vai proferir um despacho ainda esta quinta-feira.
"São Villas-Boas, vamos cortar-vos a cabeça": chefe da PSP relata ambiente vivido na Assembleia-Geral do FC Porto
Já no auditório, a testemunha relata que várias pessoas se encostaram à parede a insultar Villas-Boas. “Ó cadeira de sonho, ó corno, vai-te embora”, diziam os suspeitos, segundo testemunha. “O Fernando (Madureira) estava no meio a puxar pelos cânticos, depois também gritavam: são Villas-Boas, vamos cortar-vos a cabeça”, recorda.
O sócio diz que tentou depois perceber onde estava André Villas-Boas porque temia que se entrasse na assembleia, a situação iria tomar proporções graves. “Ele estava junto ao P1. Eu disse que estavam a existir ameaças de morte, intimidação e que a segurança dele estava em causa. Ele falou à comunicação social e depois foi embora”, acrescenta.
Bruno Branco diz que os vigilantes foram “coniventes” com o que aconteceu. “Eles estavam em número reduzido porque não deixaram ir mais gente, os seguranças disseram isso. Mas souberam de coisas e não agiram”, diz.
O sócio afirma que existiram mensagens no dia anterior, onde ‘Macaco’ pedia que fossem em peso à assembleia. “Eu disse ao Fernando que assim não ia lá, que a assembleia ia ser impugnada. Ele respondeu-me: aquilo vai partir ao meio, amanhã vai haver porrada”, descreve a testemunha. “A minha convicção é que isto foi planeado”, afirma.
Chefe da PSP e amigo de Fernando Madureira acusa a direção anterior de "tentar dificultar a eleição de André Villas-Boas com a alteração de estatutos"
Bruno Branco, chefe da PSP que estava na assembleia à civil, está a ser ouvido em tribunal. Começa por explicar que era amigo de Fernando Madureira, mas que este zangou-se quando soube que iria apoiar André Villas-Boas. “Quando cheguei ao P1 estava lá o senhor Vítor ‘Catão’ que foi o primeiro incendiário de tudo o que aconteceu a 13 de novembro de 2023. Ele começou a proferir impropérios, dizia: vão embora, vêm estes filhos da p*** querer tirar o lugar o velhote. Depois tentou impedir a entrada de um carro da comunicação social. Entretanto o telemóvel dele toca e ele disse que era o Dr. Lourenço Pinto, presidente da Mesa da Assembleia. Começou a berrar ao telefone a dizer: eles não podem estar aqui. Estava aos berros com toda a gente, ele foi um incendiário, foi lá para isso”, conta o sócio do FC Porto.
A testemunha diz que por volta das 19h55, Vítor ‘Catão’ também se insurgiu com um carro da PSP, dizia que não tinham ali estar, era um evento privado. “Depois começaram a chegar pessoas a chegarem-se junto do Fernando, ele depois veio cumprimentarem-me. Eu demorei duas horas a credenciar-se porque eles passavam todos à frente para criarem o clima de intimidação que foi montado”, lembra, dando conta de que avisou três vezes o então chefe dos Super Dragões. “Eu disse-lhe para não fazer nada que fosse prejudicar a vida do clube e ele disse para que eu estivesse tranquilo. Eu já sabia que aquilo ia acontecer, o clube, a direção montou uma estratégia, queriam alterar os estatutos a cinco meses de eleições”, diz a testemunha, que acusa a direção, que estava em funções à data, de tentar dificultar a eleição de André Villas-Boas com esta alteração de estatutos.
Bruno Branco relata ainda que viu ‘Macaco’ com uma folha A4 na mão, que ia rasgando papéis e dava às pessoas. Garante que outras pessoas lhe transmitiram que a folha tinha números de sócios. A testemunha relata ainda que foram relatadas algumas situações a Lourenço Pinto, Presidente da Mesa da Assembleia do FC Porto, ainda antes de tudo acontecer. “Relatamos que existiam pessoas que não eram sócias a entrar e ele questionou se tínhamos provas”, diz.
"Presenciei uma agressão a uma família na bancada": Retoma a sessão em Tribunal, agora com o testemunho do sócio Pedro Pinto
A sessão foi retomada agora da parte da tarde com a audição de Pedro Pinto, sócio do FC Porto. “O momento em que senti maior perturbação foi quando começaram com cânticos com Pinto da Costa e do FC Porto e a quem não cantava essas pessoas diziam que estavam ali a dividir o clube”, lembra a testemunha, dando conta de que os insultos continuaram quando alguns sócios se indignaram por ainda estar muita gente no exterior do Dragão Arena.
O sócio recorda ainda que viu “garrafas serem atiradas” para a zona da bancada central. “Presenciei uma agressão a uma família na bancada. Estávamos a ouvir um membro do conselho superior e existiram alguns comentários. Depois um conjunto de pessoas dirigem-se à bancada e quando olho para o lado vi as agressões, muita confusão. Nesse momento, a reação foi dirigirmo-nos para o sentido oposto, tal como outras pessoas. Fomos todos para o interior do ringue”, diz a testemunha.
Sobre a agressão à família, o sócio diz que foi tudo muito rápido. “Foi muita confusão. As pessoas que bateram nessa família desceram pelas escadas da zona do lado esquerdo, passam à nossa frente e as agressões foram do nosso lado direito”, conta.
Pedro Pinto ainda assistiu à agressão a Henrique Ramos, adepto portista. “As pessoas podiam falar à vontade?”, pergunta a procuradora. A testemunha garante que não. “Eu penso que isso não podia acontecer. Eu fui ali para discutir os estatutos, mas senti que existia um clima muito tenso, em que as pessoas não podiam dizer nada. Se me pergunta porque é que as pessoas insultavam outras? Isso eu não sei responder, não me revejo nesse tipo de comportamentos. Também ouvi comentários a dizer: pousem os telemóveis, não se pode filmar, não é para filmar”, recorda.
Pausa para almoço
Tribunal vai chamar mais dois novos vigilantes da SPDE a depor
O Tribunal de São João Novo vai também chamar mais dois vigilantes da SPDE como testemunhas a pedido da defesa de Fernando Saul. O pedido surgiu durante o depoimento de uma outra testemunha, tendo a advogada Cristiana Carvalho entendido que estes dois vigilantes podem contribuir para a descoberta da verdade.
"Era muita gente, existiam pessoas a serem quase esmagadas": Vigilantes continuam a relatar o ambiente vivido no pavilhão
Foram já ouvidas mais duas testemunhas. A primeira foi Hugo Miguel, também vigilante da SPDE, que começou por lembrar que uma das portas do pavilhão terá sido aberta sem autorização. Já no interior, a testemunha disse que assistiu a um foco de desordem na bancada norte. “A certa altura também vi a Sandra Madureira a dizer a um sócio que não se podia filmar, que a assembleia era para ficar entre os sócios”, afirmou.
Também Ricardo Luciano, vigilante, prestou o seu depoimento.
“No Dragão Arena estava muita gente para entrar para o número de vigilantes que nós éramos”, lembra, dando conta de que uma outra porta terá sido aberta a outra altura. Segundo a acusação foi aberta por um dos arguidos para permitir entrada de pessoas que nem sequer eram sócias do clube. O vigilante lembra que estava uma multidão no local. "Era muita gente, existiam pessoas a serem quase esmagadas", acrescenta.
A testemunha diz que ainda que existiram várias movimentações por parte dos arguidos no interior do pavilhão. “Há uma altura em que apercebi que havia uma confusão, que existia um senhor caído no chão e o filho dizia que tinham agredido o pai”, afirmou dando conta de que viu Vítor ‘Aleixo’ no local.
O vigilante também ouviu insultos. “Ouvi dizerem: está calado filho da p***”, recorda.
"Não tinha condições para exercer as minhas funções": Prossegue a audição dos vigilantes presentes na AG, desta vez, Luís Armando
Luís Armando, outro vigilante, também relata um ambiente de muita confusão e exaltação com pessoas a invadirem o recinto. “Eu não tinha condições para exercer as minhas funções. Eu estar ali ou um vaso era igual”, afirma a testemunha.
O advogado de Vítor ‘Aleixo’ e do filho questionou depois à testemunha se mudava alguma coisa na forma como decorreu a assembleia em novembro de 2023. “Mudava tudo. Não existindo condições de segurança tinha-se de solicitar à mesa para cancelar a assembleia ou então pedir policiamento para o interior”, acrescenta.
"Existiram muitas confusões, era insultos por todo o lado": Vigilante presente na AG relata ambiente no pavilhão Dragão Arena
A testemunha seguinte é José Cardoso, um outro vigilante da SPDE, que deu conta do ambiente ainda no auditório. “Sempre que alguém falava existiam cânticos”, começa por lembrar, dando conta que a assembleia foi transferida para o pavilhão Dragão Arena. “Fui abrir as portas do pavilhão e de repente estavam pessoas a saltar para ringue, vi elementos da claque”, recorda.
O vigilante lembra depois que Henrique Ramos, adepto portista, foi agredido e retirado do local. “Existiram muitas confusões, era insultos por todo o lado. Chamavam filhos da p***, traidores, ouvia pelo pavilhão todo e nós éramos poucos para tanta gente, não conseguíamos controlar tudo”, diz.
O vigilante lembra-se também de ver Fernando Madureira “a gesticular”.
“Ouvi a certa altura o senhor Vítor a gritar com a comunicação social, não queriam que entrassem": Ricardo Rocha diz que 'Catão' estava exaltado no dia da assembleia
Arranca a 13ª sessão de julgamento da operação Pretoriano com a audição de Ricardo Rocha, um vigilante da SPDE, que estava junto ao P1 na assembleia. “Ouvi a certa altura o senhor Vítor a gritar com a comunicação social, não queriam que entrassem. Ele estava exaltado”, recorda.
A procuradora pergunta qual era o comportamento dos Super Dragões junto ao P1. “Existia alguma exaltação, por exemplo nesse grupo do senhor ‘Catão’, mas não achei que era ali no sentido de destabilizar”, descreve.
Já sobre o que aconteceu no pavilhão do Dragão Arena, o vigilante assumiu que viu conflitos. Umas das situações envolveu Henrique Ramos, adepto do clube. “Vi confusão e por instinto fui à bancada para acalmar os ânimos”, lembra, dando conta de que viu situações de confrontos, mas que nunca pensou em chamar a polícia.
Arranca a 13.ª sessão do julgamento da Operação Pretoriano
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