Governo brasileiro suspeita que a grande maioria dos fogos tenha sido causada pela ação humana.
O Governo brasileiro expressou esta quarta-feira "profundo pesar" pelas vítimas dos incêndios em Portugal, incluindo um brasileiro morto, e apela às "nações parceiras" que redobrem os esforços na luta contra as alterações climáticas.
"O Governo brasileiro expressa profundo pesar pelos mortos e feridos e pelas perdas materiais decorrentes dos incêndios florestais que atingem Portugal. Regista com grande tristeza o falecimento de vítima brasileira de acidente relacionado aos incêndios que assolam o país europeu", indicou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em comunicado.
O Governo brasileiro apresentou condolências e solidariedade "ao povo e ao Governo de Portugal, bem como aos profissionais envolvidos no combate aos incêndios" e aos familiares das vítimas.
Falando para a grande comunidade brasileira a residir em Portugal, as autoridades brasileiras disseram que estão a monitorizar a situação através dos seus consulados em Portugal para assistir os seus nacionais "eventualmente afetados pelos impactos dos incêndios".
O Governo brasileiro suspeita que a grande maioria deles tenha sido causada pela ação humana.
Sete pessoas morreram e cerca de 50 ficaram feridas nos incêndios que atingem desde domingo as regiões Norte e Centro do país, nos distritos de Aveiro, Porto, Vila Real, Braga e Viseu, e que destruíram dezenas de casas e obrigaram a cortar estradas e autoestradas.
A área ardida em Portugal continental desde domingo ultrapassa os 62 mil hectares, segundo o sistema europeu Copernicus, que mostra que nas regiões Norte e Centro, já arderam 47.376 hectares.
Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), esta quarta-feira pelas 12h00, estavam em curso 44 incêndios, dos quais 23 eram considerados ocorrências significativas, que envolviam mais de 3.000 operacionais, apoiados por perto de mil meios terrestres e 19 meios aéreos.
O Governo declarou situação de calamidade em todos os municípios afetados pelos incêndios nos últimos dias e alargou até quinta-feira a situação de alerta, face às previsões meteorológicas.
"Nesse momento de tristeza, o Brasil conclama as nações parceiras a redobrarem os esforços de adaptação aos impactos da mudança do clima, em reação à multiplicação de eventos naturais extremos dessa natureza", disse o Governo brasileiro, que tal como Portugal, está a sentir uma forte incidência de incêndios no seu território, numa altura em que a Amazónia, o Pantanal e o Cerrado são devastados pelas chamas.
Na terça-feira, o Brasil registou 1.931 focos de incêndio, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Os incêndios afetam cerca de 50% do território brasileiro, de acordo com as autoridades, com Lula da Silva a admitir que o país "não estava 100% preparado para cuidar desse tipo de coisa".
A seca é comum nesta época do ano na região central do Brasil e no bioma amazónico, mas em 2024 é uma das mais extremas e afeta mais de metade do território do país, com especial incidência na Amazónia, no Cerrado e no Pantanal.
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