Arguido Mateus Marley Machado, de 27 anos, está em prisão preventiva desde o dia 19 de abril, alegando ter atuado em legítima defesa.
Começa hoje o julgamento do caso da morte de 'Manu', o jovem morto à facada à porta do Bar Académico de Braga
Arrancou esta segunda-feira a primeira sessão de julgamento do caso da morte de Manuel Gonçalves, mais conhecido por 'Manu', o jovem de 19 anos assassinado com três facadas, à porta do Bar Académico de Braga, na madrugada do dia 12 de abril de 2025. O arguido Mateus Marley Machado, de 27 anos, está em prisão preventiva desde o dia 19 de abril, alegando ter atuado em legítima defesa. Está acusado de homicídio qualificado e detenção de arma proibida. A família de 'Manu' pediu uma indemnização de 750 mil euros. O Ministério Público concedeu-lhes o estatuto de vítimas indiretas.
Para a sessão desta segunda-feira está prevista a audição de oito inspetores da Polícia Judiciária, assim como uma testemunha ocular que esteve envolvida na rixa e que sofreu ferimentos. O Ministério Público pediu ainda que fossem reproduzidas as declarações de Mateus Machado prestadas em primeiro interrogatório judicial e quando estava já em prisão preventiva.
À chegada do Tribunal, a defesa de Mateus Marley Machado referiu que o arguido não iria falar na sessão de esta segunda-feira, nem durante todo o julgamento. "Mantém o que disse mas não é previsível que vá falar durante o julgamento", referiu António Falé de Carvalho em declarações à CMTV. "Vamos ser zelosos quanto ao que se vai desenrolar na audiência e nas várias sessões", disse o advogado.
Advogado do principal suspeito de matar ‘Manu’ diz que vai ser “zeloso” durante sessões de julgamento
A defesa de Mateus Marley Machado admitiu ainda pedir proteção policial se considerassem apropriado, tendo em conta ameaças prévias.
O homem acusado de matar um jovem junto ao bar académico da Universidade do Minho, em Braga, apresentou, na fase de inquérito, versões diferentes, alegando nada ter a ver com os factos e depois ter agido em legítima defesa.
Na primeira sessão de julgamento, a procuradora do Ministério Público (MP) requereu a reprodução das declarações proferidas pelo homem em primeiro interrogatório judicial, em 19 de abril de 2025, e, posteriormente, em interrogatório complementar, realizado em 08 de julho de 2025.
No primeiro interrogatório judicial, o arguido, que está em prisão preventiva, afirmou que nem ele nem os amigos com quem estava na madrugada de 12 de abril de 2025 tiveram a ver com os factos, acrescentado que se limitou, numa primeira fase, a presenciar, na zona de fumadores do bar, "uma briga [confusão e luta] feia com muita gente envolvida".
Segundo esta versão, os seguranças do bar colocaram fim à contenda e ele e os amigos continuaram a "curtir" no interior do bar.
Cerca das 05:00, o arguido contou que ele e os amigos abandonaram o espaço e no exterior estavam dois grupos em confrontos, tendo visto "um 'gajo' com uma faca".
O homem diz que contornou a confusão e seguiu para o carro onde já estavam os seus amigos, seguindo para a sua casa, no Porto.
Ainda durante o primeiro interrogatório judicial, é perguntado ao arguido a razão pela qual duas testemunhas, que não o conheciam, identificaram-no como o autor das facadas que mataram a vítima, tendo respondido não saber.
O arguido foi confrontado também com o facto de o seu relógio ter sido encontrado no local da contenda, respondendo: "não faço ideia".
Versão diferente desta apresentou cerca de três meses depois, em interrogatório complementar, perante o MP.
O arguido relatou que chegou ao bar académico pela 01:00, acompanhado de amigos, três rapazes e duas raparigas. Cerca das 02:30, ocorreu uma confusão no interior, mas nem ele nem os amigos estiveram envolvidos, permanecendo na festa, após os seguranças terem posto termo à discussão.
Segundo o documento hoje lido em tribunal, com a versão apresentada pelo arguido no interrogatório complementar, pelas 05:00 saiu da festa e no exterior do bar encontrou a vítima com um amigo que vinha com uma faca na mão, dirigindo-se a um dos seus amigos. Este deu-lhe um soco, "o que fez com que a faca caísse ao chã".
Segundo o homem, foi nessas circunstâncias que viu a vítima vir a correr na sua direção, pelo que apanhou a faca e usou-a "de forma que não consegue precisar", deixou cair a faca e fugiu.
Negou que antes das facadas, o arguido ou algum dos seus amigos tivessem garrafas nas mãos e as tivessem atirado na direção do falecido ou dos seus amigos, lê-se no depoimento.
Durante a manhã, foram também reproduzidas duas conversas telefónicas entre o arguido e a namorada, numa das quais o homem assume querer ser julgado no Brasil, alegando legítima defesa, mostrando-se esperançado que estaria em liberdade após dois anos e meio.
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