Ana Isabel Fonseca
JornalistaDaniela Vilar Santos
JornalistaSessão terminou. Elad volta a ser ouvido a 11 de março
"Achei que era exagerado": Elad não quis participar na compra de um terceiro relógio para o vice-presidente de Gaia
A magistrada volta a perguntar porque é que Elad Dror deu o dinheiro sem a emissão de fatura a Malafaia e insiste no facto de entregas de dinheiro vivo levantarem sempre suspeitas.
“Em Portugal não tinha essa experiência, estava aqui bastante sozinho com todo o respeito, a tentar tratar das coisas. Pensava que existiam pessoas boas e não alguém que estivesse aqui ser corrompido. Se me perguntar, geralmente quando as pessoas pensam que os outros a estão a roubar é porque andam a roubar os outros”, diz Elad.
O empresário israelita diz que em 2021 já não quis participar na compra de um terceiro relógio para o vice-presidente de Gaia. “Achei que era exagerado, todos os anos virem ter comigo, eu sou simpático, mas…”, afirma, dando conta que não sabe se foi comprado o terceiro relógio.
Elad Dror diz que foram feitos três pagamentos em vez dos dois que constam da acusação
A juíza questionou Elad acerca da razão pela qual continuou a dar dinheiro a Paulo Malafaia e a João Lopes, uma vez que "nada era resolvido".
"Paguei porque tinha acordado pagar. Não era suposto ser uma parte em junho (2021), era para pagar tudo de uma vez, mas na altura não tinha o dinheiro todo", começa por explicar Elad. "Eu tinha ideia que paguei duas vezes 25 mil euros, mas terão existido 3 pagamentos. O de junho era para completar uma parte que estava a faltar, não sei se era 10 ou 15 mil, mas não era mais do que isso", completa.
Ao contrário do que diz a acusação e o próprio Paulo Malafaia, o empresário diz que entre o pagamento de janeiro e o de junho existiu um outro no gabinete de Paulo Malafaia. Fala assim de três pagamentos e não dois, no valor de 50 mil euros.
Sobre esteve novo pagamento que ocorreu no gabinete de Paulo Malafaia, Elad diz que não se lembra da exata quantia dada. Refere que João Lopes também lá se encontrava. Já sobre a última entrega, em junho de 2021 no centro comercial Norteshopping, o empresário confirma que a quantia estava numa bolsa de maquilhagem da mulher e que eram no máximo 15 mil euros. "As notas não eram de 500, provavelmente de 20, 50 ou 100. O dinheiro estava em minha casa e por isso é que o levei na bolsa da mulher", conta Elad, que diz que nunca foi ao banco levantar dinheiro.
Elad explica oferta de relógios ao 'vice' de Gaia
O juiz começa por questionar se ainda antes da primeira entrega de dinheiro não existiu a oferta de dois relógios a Patrocínio Azevedo. “O Paulo Malafaia disse que ia juntamente com o João Lopes oferecer um relógio ao ‘vice’. Foram duas situações em que ele perguntou se eu queria participar e eu perguntei quanto custaria. Ele disse que cada relógio era 3 mil euros, por isso a minha calhava mil. Eu disse ok”, lembra Elad, que recorda o que aconteceu.
“Só me lembro que foram duas vezes. Não lhe cheguei a dar dinheiro porque depois do Skyline tínhamos de fazer contas. Ele na realidade não me pediu dinheiro, pediu apenas que eu desse a minha aceitação”, conta. Elad diz que chegou a ver o relógio. “Eu recebi fotos de um relógio, mas nem liguei muito porque nem conhecia a marca”, afirma.
Elad diz que lhe foi proposto oferecer relógios três vezes, mas só aceitou em duas delas.
“Sobre os relógios ele disse só que era um costume, não quis parecer forreta ou mal-educado”, continua a explicar Elad.
O empresário diz que o ‘vice’ nunca lhe disse nada dos relógios e que também nada perguntou. O magistrado volta a perguntar porque é que Elad Dror pediu ajuda a Malafaia quando a Câmara colocou problemas no Riverside.
“Queria que fosse à Câmara lutar por nós, que falasse com o João, que trouxesse uma solução. Tentei por mim e não consegui”, diz o empresário.
O juiz volta a perguntar quais eram as qualidades de Malafaia. “Era português, estava próximo do João Lopes, foi ele que me apresentou à Câmara Municipal, era uma pessoa local. Achei que na Câmara o respeitavam mais a ele do que a mim, que o ouviam mais a ele do que a mim”, continua a dizer.
“O senhor não é ingénuo, há muitas formas de remover obstáculos, umas legais e outras não. O que pensou quando lhe pediram 50 mil euros”, pergunta o juiz.
“Para mim estava tudo ok, iam trabalhar para mim. O que ia na cabeça deles não era interpretação minha. Só pensei que estava a contratar duas pessoas (Malafaia e João Lopes) que me iam tentar ajudar”, afirma Elad.
O empresário diz que Malafaia insistia que queria os 50 mil euros sem passar fatura. O juiz diz que dinheiro vivo geralmente não representa algo legal.
“Para mim podia haver um milhão de razões, podia ser para ficar com o dinheiro para questões pessoais, porque não queria pagar IVA, porque tinha a conta bloqueada”, continua a dizer.
“Mas podia ser para pagar a alguém na Câmara Municipal?, questiona o magistrado.
“Não, não. Eu sabia quem estava a trabalhar comigo. Para mim há linhas vermelhas, posso ser criativo, tentar arranjar soluções, mas uma coisa é muito clara: não fazemos coisas ilegais. Não se pede fatura a alguém que acabamos de corromper e para além disso não o escondi da minha empresa e dos meus sócios”, conclui.
Elad diz que a certa altura percebeu que Malafaia e João Lopes estavam a dividir o dinheiro que era entregue, os 50 mil euros. Não sabe, no entanto, como tudo era feito.
“Em primeiro lugar eles vieram juntos ao meu escritório, mas eu não sei como dividiam o dinheiro. Na segunda vez, o Malafaia disse que o João Lopes estava a pressionar, que queria o dinheiro. E eu disse: se estão com pressa mandem fatura que eu mando o dinheiro. E ele disse que esperava. Naquela altura eu percebi que era o João que queria o dinheiro”, afirma o empresário.
Sessão retomada
Intervalo para almoço
“O Riverside foi-nos proposto em 2019, mas eu já o conhecia”
Elad Dror começa agora a falar do projeto Riverside, onde a acusação diz que foram entregues 125 mil euros em subornos a Patrocínio Azevedo, então vice-presidente da Câmara de Gaia.
“O Riverside foi-nos proposto em 2019, mas eu já o conhecia”, dando conta de que desde o início soube que existiam vestígios arqueológicos num dos lotes do terreno.
Sobre o dinheiro entregue no projeto Riverside, Elad começa a dar explicações. “O Paulo Malafaia disse que me podia ajudar a resolver os problemas, mas que queria receber os 50 mil euros adiantados, queria em dinheiro porque estava sufocado, disse que ia falar com João Pedro Lopes. Eu não sabia se iam dividir e como iam dividir”, afirma Elad, que descreve depois como tudo aconteceu.
“Falei com ele em outubro e a primeira vez que paguei foi em janeiro e disse que se quisesse ser pago que passasse fatura”, diz.
Sobre a primeira entrega de 25 mil euros, em janeiro de 2021 na sede do grupo Fortera, Elad recorda também o que aconteceu. “O Malafaia perguntou-me se João Lopes podia ir e eu disse que não havia problema. Ele ficou com o dinheiro e foram embora, não foi mais de 10 minutos, percebi que João Lopes estava a ajudar no que lhe tinha pedido”, contou Elad.
O empresário israelita explica assim que não entregou qualquer quantia a João Lopes, ao contrário do descrito por Malafaia no seu depoimento. Afirma que entregou os 25 mil euros a Malafaia e que o dinheiro era para resolver problemas do Riverside com a Câmara, mas nunca para qualquer “prática corruptiva”.
"Foi-me proibido falar com qualquer pessoa por causa do processo e eu vendi a minha parte": Elad Dror sobre projeto Skyline
Elad Dror está a responder a várias questões da procuradora do Ministério Público ainda sobre o projeto Skyline. Voltou a referir que o aumento do índice de construção do terreno não resultou de "qualquer pressão do grupo Fortera". Explicou ainda que os custos de construção só aumentavam e que a certa altura pensou que em vender pelo menos parte do terreno.
"Tentamos vender para recuperar parte do investimento, a Câmara soube disso através das notícias e não gostou nada. Mas depois não o conseguimos fazer", afirma Elad, ontem descreveu o projeto como "desastroso".
O advogado João Peres, que defende Elad, pergunta o que é representa para o arguido hoje o projeto ‘Skyline’.
“Quando este processo começou eu percebi que a Câmara nunca lhe ia tocar. Em primeiro lugar foi-me proibido falar com qualquer pessoa por causa do processo e eu vendi a minha parte basicamente por nada, limpando um milhão de euros que investi na altura para que fosse possível avançar. Basicamente eles (investidores) desistiram do protocolo. Sei que agora os terrenos estão arrestados porque a acusação alega que os fundos usados para o terreno vêm de rendimentos resultantes de atividade corruptiva”, afirma Elad.
“O Skyline é para si zero?”, questiona João Peres.
“É menos de zero”, diz Elad.
Começa o julgamento. Elad Dror continua a ser ouvido
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