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Correio da Manhã

Portugal
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Portugueses resgatados em segurança de gruta: "Nós estávamos bem"

Espeleólogos saíram pelo próprio pé da gruta.
Correio da Manhã 21 de Outubro de 2019 às 07:54
Portugueses com a equipa de resgate
Equipa de resgate procura quatro portugueses desaparecidos em gruta espanhola
António Afonso, um dos portugueses preso na gruta espanhola
António Afonso
Carlos Mendes, de 37 anos
Gruta Cueva-Coventosa
Portugueses com a equipa de resgate
Equipa de resgate procura quatro portugueses desaparecidos em gruta espanhola
António Afonso, um dos portugueses preso na gruta espanhola
António Afonso
Carlos Mendes, de 37 anos
Gruta Cueva-Coventosa
Portugueses com a equipa de resgate
Equipa de resgate procura quatro portugueses desaparecidos em gruta espanhola
António Afonso, um dos portugueses preso na gruta espanhola
António Afonso
Carlos Mendes, de 37 anos
Gruta Cueva-Coventosa

Quatro espeleólogos portugueses que estiveram desde sábado presos na gruta de Cueto-Coventosa, em Espanha, foram resgatados esta segunda-feira às 16h55. Os portugueses saíram pelo próprio pé do interior da gruta.



"Nós estávamos bem mas não podíamos avisar a nossa família", conta um dos espeleólogos à saída da gruta. O português acrescentou que ficaram bloqueados, mas não passaram frio e tinham mantimentos para se alimentarem.

Quando questionado sobre como foram estes três dias, o espeleólogo brinca e diz "não foram maus".

Em declarações aos jornalistas, o espeleólogo António Afonso falou em nome do grupo e referiu que a equipa estava preparada e esperava de forma "tranquila" que o nível de água baixasse para conseguirem sair da gruta. O grupo estava calmo, mas preocupado com a família. 

Os quatros espeleólogos foram surpreendidos pelas alterações metereologicas. O grupo estava num "salão cheio de água" e criou um abrigo numa zona mais fechada da gruta onde se refugiaram durante os últimos dias. 

"Nunca entrámos em pânico", afirmou. 

"Fizemos um plano meteorológico" referiu António Afonso, acrescentando que o grupo tinha comida para mais três dias. Quando encontrados o espeleólogo português confessou, em tom de brincadeira, que até ofereceram comida à equipa de resgate espanhola.

Em nome do grupo, António Afonso agradeceu ainda à equipa de resgate espanhola. 






Um resgate em contra-relógio: chuvas ameaçavam trabalhos para salvar espeleólogos
Ao fim de 48 horas, a equipa de resgate trouxe boas notícias: "estão bem, mas cansados". Segundo o 112 de Cantabria, os espeleólogos foram localizados às 13h45.

O grupo iniciou a travessia por volta das 11h30 de sábado e ao final de 30 horas, como não havia notícias dos espeleólogos, foi acionado o alerta. Os portugueses encontravam-se numa "galeria problemática" muito conhecida e aguardavam que o caudal de água baixasse para saírem sem problemas maiores, segundo um membro da equipa de portugueses.



Horas à espera que o nível da água baixe
"Sabemos onde estão e é com toda a normalidade que esperamos que a água baixe para que saiam", disse à agência Lusa Marco Afonso, também o espeleólogo e membro de uma equipa de sete pessoas do Clube de Montanhismo Alto Relevo de Valongo, região do Porto, que se deslocou no fim de semana às grutas de Cueto-Coventosa, no norte de Espanha.

"Trata-se de uma galeria problemática que é muito conhecida dos espeleólogos que fica vedada dos dois lados quando a água sobe", explicou, acrescentando tratar-se de uma "situação normal que acontece muitas vezes".

O grupo, experiente neste tipo de travessias, entrou na gruta para uma travessia de 30 a 32 horas e estaria pronto a nível de mantimentos para esse período, no entanto foram travados pela subida da água. 
 
"A atividade prevista tinha uma duração de cerca de 30 a 32 horas", afirmou Vítor Gandra, do clube de montanhismo Alto Relevo de onde são os quatro espeleólogos. Vítor afirmou ainda que os quatro homens têm cerca de 30 anos e que, para já, não há razão para alarme. 

De acordo com Sérgio Barbosa, da Federação Portuguesa de Espeleologia, é expectável que o grupo se encontre numa zona da gruta conhecida por Lago da Tirolina. O resgate, que deverá ser efetuado esta segunda-feira porque há previsões de chuva para amanhã, dependerá da descida do nível da água. 

A equipa de resgate conseguiu entrar na gruta mas só avançaram 50 metros, de acordo com o jornal local El Diario Cantabria, devido ao elevado volume de água.

"Não se vence a natureza, avançaremos quando pudermos", afirmou a equipa de resgate que está junto à gruta. 




Nível da água desce muito lentamente
O serviço de emergência do governo da Cantábria, que coordena a operação, informou em comunicado que os especialistas indicaram que a água está a baixar no interior da gruta a uma velocidade de 10 centímetros por hora, muito mais lentamente do que se previa inicialmente.

Na entrada da área dos três lagos, a equipa de resgate instalou um ponto de acampamento, aguardando a diminuição do nível da água.

A previsão da Agência Estatal de Meteorologia é de chuvas fracas durante a manhã desta segunda-feira, sem registo de pluviosidade à tarde, com o tempo a agravar-se na terça-feira.

A equipa de resgate deverá instalar esta segunda-feira cordas e corrimões se o nível da água não baixar.
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