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Escritora Clara Pinto Correia encontrada morta em casa

Figura influente da sociedade portuguesa, nos últimos anos tinha-se afastado do palco mediático e vivia em Estremoz, no Alentejo. Tinha 65 anos.

Atualizado a 09 de dezembro de 2025 às 17:10
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Escritora Clara Pinto Correia encontrada morta em casa

Clara Pinto Correia, 65 anos, escritora, bióloga e professora universitária, foi encontrada morta em casa em Estremoz esta terça-feira.

Foi a empregada doméstica que na manhã desta terça-feira deu o alerta. Os bombeiros foram chamados ao local, mas a escritora já estava morta. A PSP encontra-se na casa, onde permanece ainda o corpo de Clara Pinto Correia.

Numa mensagem no site da Presidência da República, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apresentou à família, amigos e admiradores "os seus afetuosos sentimentos, consternado pela sua partida prematura".

"Clara Pinto Correia juntava à alegria de viver, uma inteligência e um brilho que se expressaram na intervenção oral e escrita, no magistério científico e na comunicação com os outros. Não deixou nunca ninguém indiferente. Daí o sentido de ausência por todos partilhado neste momento", pode ler-se na mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa.

Também a editora Exclamação, que publicou o seu último livro, "Antares", em junho do ano passado, confirmou a morte da escritora.

Figura influente da sociedade portuguesa, nos últimos anos tinha-se afastado do palco mediático e vivia em Estremoz, no Alentejo.

"Fiquei sem emprego, sem qualquer espécie de trabalho. Primeiro que começasse a receber o subsídio de desemprego foram quase dois anos. Nas filas da Segurança Social olhavam para mim de esguelha. A minha senhoria da casa no Penedo [perto de Colares, Sintra] pôs-me uma ordem de despejo. Há 30 anos que lhe arrendava a casa e dava-me lindamente com ela", revelou com mágoa , em janeiro.

Em janeiro de 2003 esteve envolvida numa polémica, acusada de plágio num artigo que escreveu na revista Visão. Descobriu-se que uma crónica sua sobre o presidente Václav Havel era uma cópia quase total de um texto que saíra pouco antes na revista The New Yorker, escrita por David Remnick.

Acabou dispensada da Visão, a editora 'Oficina do Livro' anunciou a suspensão de um livro de crónicas que estava prestes a publicar e a crítica atacou-a.

"Eu estava nos Estados Unidos. Na altura não havia Google. As pessoas começaram a ligar-me para casa, a dizer que eu tinha plagiado não sei o quê. Nem sequer sabia do que estavam a falar. No segundo dia, telefonou a minha mãe a dizer: 'Não respondas a nada do que as pessoas te perguntarem. Estão a aproveitar tudo o que dizes para fazerem de ti parva.' E eu calei-me", contou na mesma entrevista à Sábado.

Clara Pinto Correia licenciou-se em Biologia pela Universidade de Lisboa e doutorou-se pela Universidade do Porto, iniciando uma carreira universitária e de investigação no domínio da Embriologia no Instituto Gulbenkian de Ciência e nos Estados Unidos.

Em 1983 editou o seu primeiro livro, 'Ponto pé de Flor', mas ganhou notoriedade com o romance 'Adeus Princesa', que deu origem a um filme.

Em 2010 acedeu a deixar-se fotografar em momentos de intimidade com o marido, Pedro Palma, para a exposição ‘Sexpressions’, mas nunca pensou que as imagens do seu êxtase sexual gerassem tanta polémica.

'Nunca tive a pretensão de chocar nem provocar ninguém, e a verdade é que, para mim, foi desagradável ouvir determinado tipo de coisas, como que eu teria fingido ou que havia uma terceira pessoa a fotografar-nos. Isto nunca poderia acontecer com uma terceira pessoa a assistir, porque éramos nós na nossa intimidade. Por isso é que funcionou tão bem', explicou na altura.

Filha dos médicos José Manuel Pinto Correia e de Maria Adelaide da Cunha e Vasconcelos de Carvalho Amado, é irmã da jornalista Margarida Pinto Correia.

Escritora, bióloga e professora universitária, destacou-se tanto ao nível das ciências como da literatura, tendo ainda sido cronista, jornalista, apresentadora e até atriz, no filme 'Kiss me' (2004), de António Cunha Telles.

 O último livro, 'Antares', foi publicado em junho do ano passado pela editora Exclamação.

Publicada originalmente a 09 de dezembro de 2025 às 12:45

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