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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Estudo revela que crianças vítimas de crimes não são acompanhadas

Relatório conclui que as crianças que testemunham crimes não têm apoio.

04 de setembro de 2019 às 08:42

"A minha mãe foi morta pelo meu padrasto mesmo à minha frente quando eu tinha 12 anos. Depois de tudo, no tribunal, pediram-me para me levantar e fazer um desenho a explicar a posição dos dois, da minha mãe e do padrasto. Ao voltar para o meu lugar, reparei que ele estava sentado mesmo atrás de mim."

No final deste relato dramático, recordado uma década depois, a jovem disse não ter sido apoiada nem respeitada em tribunal, como testemunha de um crime.

Esta descrição vai ao encontro da realidade apresentada no relatório do Observatório de Crianças e Direitos, entidade que aponta o dedo ao sistema judicial e à falta de profissionais especializados.

O relatório, que foi conhecido esta terça-feira, no Fórum Picoas, em Lisboa, analisa sete casos em que os direitos das crianças não foram respeitados nem bem interpretados.

PORMENORES

Juiz informal

De acordo com o Observatório, o processo de audição das crianças tem vários erros, a começar pelo juiz que deveria estar vestido de forma informal. É importante que as salas não tenham muitas pessoas.

Sorriso mal interpretado

Em todos os casos analisados, as reações das crianças - como os sorrisos – foram mal interpretadas em tribunal.

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