"Vivemos um ambiente geopolítico que voltou a uma fase de conflitualidade e de elevada intensidade", referiu o chefe do Estado-Maior do Exército.
O chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) disse esta quinta-feira à Lusa que o segundo mandato à frente do ramo terá como prioridades reforçar o treino operacional e acelerar a inovação, face a um contexto internacional "incerto e volátil".
"Vivemos um ambiente geopolítico que voltou a uma fase de conflitualidade e de elevada intensidade. Numa situação destas há essencialmente duas formas de estar: ou se está a treinar ou se está a operar", afirmou o general Eduardo Ferrão.
Em declarações à Lusa, à margem da cerimónia de receção do Estandarte Nacional da 3.ª Força Nacional Destacada que regressou da missão da NATO na Eslováquia, no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, distrito de Santarém, o responsável disse que o novo mandato assentará na continuidade da estratégia já definida para o Exército.
"Há duas linhas fundamentais: continuidade e reforço de prioridades", afirmou, referindo que a estratégia passa pela geração da chamada "Força Terrestre 2045" e pela garantia da sua capacidade de sustentação.
Entre as prioridades para os próximos dois anos, o responsável destacou a transformação da educação, formação e treino operacional, com maior recurso a tecnologias, como a simulação.
"Temos de transformar a forma como ensinamos, como formamos e como treinamos, recorrendo cada vez mais às novas tecnologias", afirmou, apontando para a instalação de novos sistemas de simulação no Campo Militar de Santa Margarida.
Segundo o CEME, esta evolução permitirá um treino mais realista e ciclos de adaptação mais curtos num contexto em que os conflitos evoluem rapidamente.
"O ambiente estratégico é muito incerto e volátil e, por isso, temos de apostar muito na formação, na educação e na inovação", reforçou.
O general Eduardo Ferrão referiu ainda que o Exército português acompanha de perto o atual contexto internacional, marcado por uma nova fase de conflitualidade.
Segundo o responsável, Portugal mantém forças no flanco leste da Europa no âmbito da NATO, em missões associadas à dissuasão e preparação para cenários de alta intensidade, bem como contingentes em operações das Nações Unidas em África.
O CEME falava à margem da cerimónia de receção do Estandarte Nacional da 3.ª Força Nacional Destacada, que esteve na Eslováquia entre julho de 2025 e fevereiro de 2026 integrada no Battlegroup Multinacional da NATO naquele país.
A força portuguesa integrou 120 militares do Exército e operou com carros de combate Leopard 2A6 e outras viaturas blindadas.
Para Eduardo Ferrão, a participação portuguesa neste tipo de missões reforça a credibilidade internacional das Forças Armadas.
"Somos credíveis por aquilo que somos, por aquilo que fazemos e porque cumprimos os compromissos assumidos pelo país perante os seus aliados", afirmou.
O responsável destacou também que a organização desta força multinacional representa um passo no processo de transformação e modernização do Exército.
Nesse âmbito, confirmou que está em curso o processo de substituição das viaturas blindadas M113, que deverão ser retiradas de serviço.
"É uma viatura que marcou várias gerações, mas que já não responde às exigências atuais", afirmou, sublinhando que o país deve garantir equipamento moderno aos militares para o cumprimento das suas missões.
Esta foi também a primeira cerimónia pública presidida pelo general Eduardo Ferrão após a sua recondução no cargo de chefe do Estado-Maior do Exército para um novo mandato, agora de dois anos.
No discurso, o responsável assinalou o simbolismo de regressar ao Campo Militar de Santa Margarida, onde iniciou a carreira como jovem oficial.
"É um dia muito especial regressar a esta parada onde formei pela primeira vez, em 1985, como alferes", afirmou, sublinhando a importância que a unidade teve no seu percurso militar até ao cargo que hoje ocupa.
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