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Correio da Manhã

Portugal
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Externato tem ordenados em atraso há sete meses

É uma das escolas mais conceituadas da Amadora e está em risco de fechar. O Externato Amadis não paga aos professores efectivos há sete meses e alguns dos que estão em acumulação começam a ter vencimentos em atraso.
21 de Abril de 2005 às 00:00
“A direcção deve-me mais de 20 mil euros”, frisa um dos docentes. Um outro professor requereu a suspensão de funções no início do mês, depois de 23 anos a ensinar Português. Os alunos apontam “falta de condições e de investimento nas instalações.”
As dívidas aos docentes atingem os 109 mil euros. “Chegámos a ter 600 alunos, agora temos 130. De há uns anos para cá fui injectando dinheiro e chegou uma altura em que já não tinha mais”, explica a directora da instituição, Maria Helena Soares. A crise no ensino particular – que se tem revelado nas instituições de Ensino Superior – começa a atingir os níveis de Ensino Básico.
Os problemas começaram em Maio de 2004, quando a directora propôs a venda das quotas da sociedade gestora do Amadis aos professores efectivos. Sem receber resposta, acabou por ter uma proposta de compra por parte da Escola Profissional Gustave Eiffel. “Ofereceram 250 mil euros, mas não queriam os professores efectivos”, explica a directora do Amadis. Maria Helena Soares não avançou para a proposta de rescisões porque “as indemnizações eram tão altas que os 250 mil euros não cobriam.”
O pagamento dos vencimentos de Junho, Julho e do subsídio de férias só foi feito em Setembro. “Os vencimentos a partir do mês de Setembro deixaram de ser pagos”, explica Fernando Oliveira, docente que está suspenso de funções. “Não tenho dinheiro, o Externato esteve para fechar em Dezembro”, contrapõe Maria Helena Soares, que afirma ter chegado a acordo com dois externatos para acolher os alunos. “Pedagogicamente a coisa ficava resolvida, mas como os professores me pediram mais tempo para estudar a proposta, não fechei”, frisa. Segundo os docentes, a empresa apresenta “dívidas enormes, à banca, à Segurança Social, à Caixa de Aposentações”. As inspecções-gerais do Trabalho e da Educação já estão a par.
Alguns alunos contam que “as médias baixaram e há disciplinas com muita matéria em atraso”. O Amadis “corre o risco de fechar em Julho”, diz Maria Helena Soares, que não encontra uma solução para evitar o encerramento.
35 ANOS DE HISTÓRIA
UM DOS ÚLTIMOS
No ‘ranking’ das escolas divulgado em 2004, o Externato Amadis ocupava a 583.ª posição a nível nacional, de um total de 608 escolas. A média nos exames do 12.º ano foi de 78,09 valores. No concelho da Amadora foi a escola pior classificada.
SEIS ANOS LECTIVOS
O Amadis, instalado em três pisos num prédio no centro da Amadora, tem cerca de 140 alunos. No Externato são leccionados seis anos – do 7.º ao 12.º – e as aulas decorrem entre as 8h30 e as 23 horas.
220 EUROS POR MÊS
Para estudar no Amadis os alunos pagam uma mensalidade de 220 euros (sete disciplinas curriculares). Por cada disciplina a mais são cobrados vinte euros/mês.
REUNIÃO COM A DREL
A directora do Amadis enviou um faxe para a Direcção Regional de Educação de Lisboa, a requerer uma reunião urgente. O faxe data de terça-feira.
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