Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
4

“Fazíamos montes com notas na mesa”, diz sargento em tribunal

Sargento ajudante afirmou que foi “um cobarde” ao não denunciar subornos na messe.
João Tavares 22 de Janeiro de 2019 às 08:58
A carregar o vídeo ...
Julgamento de corrupção nas messes da tropa
A descrição parece saída de um filme de gangsters. O major Martinho e os sargentos ajudantes António Paulo e Gouveia, da Força Aérea, repartiam em partes iguais o dinheiro lucrado no esquema de corrupção com os fornecedores das messes.

"Abriam-se os envelopes guardados, tirava-se o dinheiro e começavam-se a fazer montes com notas à mesa. Depois o major Martinho dizia para escolhermos um maço". Foi desta maneira que António Paulo, da messe da base de Monte Real, angariou, entre os anos de 2013 e 2016, 100 mil euros.

O dinheiro era proveniente da sobrefaturação de produtos alimentares para a messe. "Qualquer dia vamos presos", chegou a dizer ao cúmplice, o sargento Gouveia. "Fui um cobarde por não ter denunciado isto e tive medo por toda a envolvência.

Ainda hoje vivo em pânico. É um stress constante", disse ontem, ao depor no Tribunal de Sintra, o sargento ajudante António Paulo, afirmando terem-lhe contado que uma das pessoas que lucravam com o esquema de subornos era o major-general Milhais Carvalho, um dos 68 arguidos do caso e apontado pelo MP como o mentor do esquema.

O militar diz que o esquema é antigo e que entrou nele quando começou a trabalhar na messe de Monte Real. "O major Martinho disse-me quando entrei que o trabalho era muito mas que haveria alguma compensação (...) percebi que era algo que não era legal", disse.

Parte do dinheiro apreendido pela Judiciária foi encontrado escondido na casa de uns amigos onde passava férias.

PORMENORES
15 mil euros
O capitão Orlando Pinheiro, da base da Ota, terminou ontem o depoimento, dizendo que terá lucrado cerca de 10 a 15 mil euros enquanto dirigiu aquele espaço entre finais de 2014 e novembro de 2016.

Camarão
Alguns fornecedores das bases deram aos militares envolvidos no esquema de Monte Real cabazes com caixas de camarão, garrafas de champanhe e até mesmo algumas "mariscadas".

Envelopes
O sargento ajudante disse que alguns dos envelopes que recebeu nem sequer os abriu. "Eu nem sabia quanto estava lá dentro (...) Só no último ano é que gastei algum dinheiro em combustível."
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)