Septuagenário baleou dois agentes durante busca domiciliária. Filho é suspeito de crimes sexuais com menores.
O septuagenário que baleou dois inspetores da Polícia Judiciária (PJ), durante uma busca domiciliária, em Paredes, distrito do Porto, ficará em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, enquanto o filho suspeito de crimes sexuais com menores ficou em prisão preventiva.
A informação foi avançada esta quinta-feira à agência Lusa por fonte judicial, depois de os arguidos terem sido presentes a primeiro interrogatório judicial perante um juiz de instrução criminal que aplicou ao idoso, de 77 anos, a medida de coação de permanência na habitação com vigilância eletrónica, assim que estejam reunidas as condições técnicas, e ao filho, de 43 anos, a prisão preventiva.
Em comunicado divulgado anteriormente, a PJ deu conta de que os inspetores foram atingidos por disparos com arma de fogo, quando realizavam uma busca domiciliária, no âmbito de uma operação policial que incluiu 10 buscas domiciliárias nos concelhos do Porto, de Matosinhos, de Vila Nova de Famalicão, de Fafe, de Arouca, de Alijó, de Aveiro e de Paredes.
A PJ explicou que, no decurso da busca, pouco depois das 07:00 de terça-feira, 10 de fevereiro, perante a resistência do visado em facilitar a respetiva entrada pela porta principal da moradia, um primeiro inspetor da PJ acabou por aceder ao interior da mesma por uma porta traseira.
Segundo esta força de investigação criminal, "nesse preciso momento, [esse inspetor] foi surpreendido pelo alvo principal da diligência, um homem com 43 anos, com o qual se envolveu física e violentamente".
"Logo em seguida, e quando um segundo inspetor se desloca ao local, são surpreendidos pela aproximação do pai do visado, um homem de 77 anos, que empunhava uma pistola de calibre 6.35 mm [milímetros], e que, de imediato, realizou dois disparos na direção de um dos inspetores, acabando por ser atingido superficialmente na zona da cabeça", lê-se no comunicado.
Ainda de acordo com a PJ, o suspeito conseguiu então "alguma liberdade de movimentos" e tentou "apoderar-se da arma do seu pai, no sentido de usá-la".
"Nesse preciso momento, e já com um dos inspetores a dominar fisicamente o septuagenário, é efetuado um terceiro disparo, que o atinge superficialmente na zona do ombro", descreve a nota.
Segundo o diretor do Departamento de Investigação Criminal (DIC) de Braga da PJ, uma menor está no centro desta investigação por prostituição e pornografia infantil.
José Monteiro explicou, em conferência de imprensa realizada na terça-feira, que a investigação teve início em 2025, mas que os factos terão começado anteriormente, quando a adolescente tinha 15 anos e estava institucionalizada, e se "disponibilizou" através das redes sociais para se prostituir e para partilhar conteúdos de cariz sexual.
Foi neste contexto que, segundo o diretor do DIC de Braga da PJ, houve, pelo menos, "mil contactos" efetuados com a menor por suspeitos, que tinham "perfil diverso", sendo um deles um antigo professor da adolescente, a qual tem atualmente 18 anos e já não está numa instituição de Barcelos.
E foi durante uma das 10 buscas domiciliárias realizadas hoje pela PJ a uma casa dos visados, em Paredes, que houve resistência por parte de um dos suspeitos, de 43 anos, que culminou com o pai deste, com 77 anos, a disparar e a atingir dois inspetores da PJ, um na cabeça, de forma "superficial", e outro no ombro.
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