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Correio da Manhã

Portugal
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SIRESP em Bragança não cobre todas as estradas nem sobe todas as serras

Há zonas sombra em todos os concelhos que compõem o distrito.
Tânia Rei 19 de Junho de 2019 às 21:12
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Há zonas sombra em todos os concelhos que compõem o distrito.
O Investigação CM percorreu várias zonas de Portugal continental para verificar de que forma estão as redes do SIRESP a funcionar dois anos após a tragédia de Pedrógão Grande.

Em Bragança, os jornalistas da CMTV detetaram várias zonas onde o SIRESP tem falhas. Não funciona a cem por cento. Em todos os concelhos que compõem o distrito de Bragança (são doze), há zonas sombra. O SIRESP não contorna todos os vales nem sobe todas as serras. Nem tão pouco percorre todas as estradas.

No IC5, que liga os concelhos de Murça e Alijó, no distrito de Vila Real, os jornalistas do Investigação CM detetaram problemas nas comunicações do SIRESP.

Quando o rádio de comunicações do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, o SIRESP, não tem rede, emite um sinal sonoro.

As zonas sombra são conhecidas pelos operacionais. Foram sendo descobertas à medida que foram havendo ocorrências e em que foi necessário comunicar. Isto responde à nossa questão inicial - o SIRESP ainda não chega a todo lado.

Nas zonas fluviais, é essencialmente nas bacias hidrográficas que se registam falhas na rede SIRESP. Algumas tocam outros distritos, e partilham a deficiência comunicacional.

Com a chegada do calor, multiplicam-se os turistas e visitantes no interior do País. Não se pode medir a dimensão de uma possível tragédia, porque nunca aconteceu nenhuma.

As antenas suportam a rede SIRESP, que começou a ser implementada em 2006. No distrito de Bragança, e segundo o site oficial na Internet do SIRESP, foram colocadas 28 estações base. No ano passado, altura do anúncio do reforço das antenas de satélite, foram apontados reforços em duas áreas.

Mas, o que é certo é que pelos 12 concelhos que compõem o distrito de Bragança, há zonas sombra. A orografia da região tem várias especificidades o que deixa várias zonas sem cobertura da rede. 

O IC5, veio desencravar as comunicações terrestres entre os concelhos de Murça e Alijó, no distrito de Vila Real, e Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Alfândega da Fé, Mogadouro e Miranda do Douro, no distrito de Bragança. Rasgou o isolamento, encurtou distâncias. É fácil perceber a importância desta via. A via que aumentou a comunicação, mas não se estiveremos a falar da rede SIRESP. Ao longo do IC5 a rede é inconstante. 

Já se registaram acidentes rodoviários em zonas onde a rede não respondeu da melhor forma, com comunicações com cortes e sem qualidade, o que obriga a arranjar uma alternativa. A alternativa pode ser um simples telemóvel, mas isso cria hiatos temporais, quando todos os segundos contam.

As comunicações têm que ser feitas. A solução pode ser passar o rádio SIRESP do modo digital, o modo standarizado e no qual se esperaria que funcionasse a 100%, para o modo direto, analógico, ou recorrer ao velhinho ROB, a Rede Operacional de Bombeiros, implementada em 1982, rede analógica, que funciona algo semelhante a um walkie-talkie.

É por isso mais limitada em termos de distâncias, esbarra na orografia, e não permite que todas as entidades envolvidas nas ocorrências comuniquem em simultâneo. Continua é a ter uma grande vantagem - funciona sem falhas.

E, com todos estas situações, as entidades estão a braços com constrangimentos operacionais.

Prometia ser inovador, mas acabou por se tornar na banda sonora de muitas ocorrências.
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