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Correio da Manhã

Portugal

Jantar secreto revela ligações perigosas

Nuno Vasconcellos, líder da Ongoing, convidou Sócrates e Ricardo Salgado para um jantar em sua casa.
Débora Carvalho e Pedro H. Gonçalves 2 de Agosto de 2017 às 01:30
José Sócrates
José Sócrates
Nuno Vasconcellos residia na Quinta Patino, condomínio de luxo em Cascais
José Sócrates
José Sócrates
Nuno Vasconcellos residia na Quinta Patino, condomínio de luxo em Cascais
José Sócrates
José Sócrates
Nuno Vasconcellos residia na Quinta Patino, condomínio de luxo em Cascais
Nuno Vasconcellos, líder da Ongoing, organizou um jantar secreto em sua casa, em dezembro de 2013, para o qual convidou José Sócrates e Ricardo Salgado, os dois principais arguidos no processo de investigação do Ministério Público ao ex-primeiro-ministro. Sócrates foi ao jantar, mas o ex-líder do Grupo Espírito Santo (GES) e do BES acabou por não ir, por estar ausente. Vasconcellos, cujo grupo está agora a ser passado a pente fino na Operação Marquês, residia na Quinta Patino, um condomínio de luxo perto de Cascais.

O convite para o jantar secreto partiu de Vasconcellos, revela uma escuta da Operação Marquês. O líder da Ongoing usou Guilherme Dray, ex-chefe de gabinete de Sócrates que era então funcionário da Ongoing, para insistir num encontro com o ex-primeiro-ministro. A propósito disso, Sócrates refere que "já não tem paciência para aturar esses gajos e não tem obrigações de relações-públicas".

Sócrates acabou por ir ao jantar a casa de Vasconcellos. À mesa, estava também Bernardo Espírito Santo, então diretor- -geral do BES que representou Ricardo Salgado. No contexto da investigação na Operação Marquês, o jantar revela as ligações perigosas existentes entre o empresário Nuno Vasconcellos, o político José Sócrates e o banqueiro Ricardo Salgado.

Nuno Vasconcellos e a Ongoing são agora um dos focos da investigação a Sócrates, devido à alegada parceria com Ricardo Salgado para defender os interesses do GES nos negócios da PT. Sócrates é também suspeito de ter beneficiado o GES nesses negócios da PT.

Ministério Público passa contas de Dray a pente fino
O Ministério Público quer passar a pente fino as contas de Guilherme Dray, ex-chefe de gabinete de José Sócrates, na CGD entre 2010 e 2015. Depois de ter saído do governo, em 2011, Dray foi trabalhar para empresas de Carlos Santos Silva e para a Ongoing.
Nessa fase, segundo as escutas da Operação Marquês, o ex- -chefe de gabinete continuou a ser a pessoa a quem Sócrates recorria quando precisava.
Dray fez inúmeros contactos com vista a marcar encontros de Sócrates com Manuel Vicente, vice-presidente de Angola, e Lula da Silva, ex- -presidente do Brasil.

PORMENORES
Dividendos milionários
O GES, no tempo da liderança de Ricardo Salgado, e a Ongoing, de Nuno Vasconcellos, ganharam com a PT, entre 2007 e 2014, mais de 1128 milhões de euros em dividendos.

OPA da Sonae e Brasil
O chumbo da OPA da Sonae à PT, em 2007, e a venda pela PT da Vivo e posterior compra da OI são um dos focos centrais da investigação a Sócrates.

Tomás Correia no jantar
Nuno Vasconcellos manifestou interesse em convidar também para o jantar Tomás Correia, então líder do Montepio Geral.
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