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Correio da Manhã

Portugal
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Lar trata menores como 'doentes' e 'maricas'

Atual diretora técnica e quatro antigos funcionários da instituição respondem por 35 crimes de maus-tratos.
12 de Abril de 2018 às 01:30
Maus tratos
Edifício da Casa dos Rapazes
Maus tratos
Edifício da Casa dos Rapazes
Maus tratos
Edifício da Casa dos Rapazes
O Ministério Público (MP) de Viana do Castelo deduziu acusação contra a atual diretora técnica e quatro antigos funcionários da Casa dos Rapazes de Viana do Castelo, por 35 crimes de maus-tratos na forma continuada.

A investigação, que foi agora concluída, dá conta de que, pelo menos entre 2014 e 2015, os jovens ali institucionalizados eram sujeitos a várias práticas de humilhação, que eram entendidas como uma nova terapia de ensino.

Uma das situações tem a ver com as suspeitas de homossexualidade. Sempre que o comportamento de algum rapaz era tido como 'doentio', os jovens eram apelidos de 'paneleiros' e 'maricas'. Humilhados em grupo, eram depois ostracizados e 'convidados' a mudarem as suas opções sexuais.

Segundo o MP, esta situação foi detetada com maior incidência na Casa Azul, um dos abrigos da instituição.

Em novembro do ano passado e depois das denúncias, a Casa dos Rapazes suspendeu cinco auxiliares de ação educativa. As denúncias foram conhecidas um mês antes, através de vídeos que davam conta de insultos e agressões aos menores.

Bofetadas e gritos mostrados em vídeo
A responsável da Casa dos Rapazes dava bofetadas aos jovens, como forma de reprovação de comportamento. Os funcionários eram incentivados a adotar este comportamento e, segundo o Ministério Público, tratava-se de uma terapia educacional. Os vídeos, divulgados em outubro, pelo jornal 'Público', mostravam jovens a chorar, perante os gritos e insultos dos educadores. A situação deu de imediato origem a um inquérito.
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