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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Mata genro para vingar morte da filha

Manuel Açoriano, de 88 anos, matou António Veríssimo a tiro de caçadeira na casa, em Torres Vedras.

08 de julho de 2018 às 01:30

A relação marcada por violência e discussões diárias entre Manuel Açoriano, 88 anos, e o genro António Veríssimo, de 68, piorou quando o idoso perdeu a filha, que se terá suicidado, há quatro anos.

O pai culpou sempre o marido da filha pela morte. Na sexta-feira, em mais uma desavença, Manuel pegou numa caçadeira e disparou contra o peito de António, que morreu na casa onde vivia com os sogros, em Torres Vedras.

O alerta foi dado por vizinhos que ouviram tiros, às 21h50. Após o homicídio, o idoso ainda ficou barricado no interior da habitação, com a vítima alvejada já morta e com a mulher, doente. Bombeiros e INEM não conseguiram aceder de imediato à moradia e tiveram de esperar por militares da GNR, que convenceram o idoso a entregar-se. Foi levado para o posto e depois entregue à Judiciária.

‘Tonho’, como era conhecida a vítima em Furadouro, tinha estado a assistir ao jogo entre o Brasil e a Bélgica, do Mundial de futebol, no café da localidade com amigos, e foi morto minutos após o apito final do jogo, ao entrar em casa e sentar-se à mesa.

"Estivemos a ver a bola e depois ele foi para casa. Já o tínhamos avisado para ter cuidado: o Açoriano já tinha dito que o matava e tinha arma por ser caçador. Sempre se deu muito mal com os sogros, até havia pancadaria, e desde que a filha morreu tudo piorou, até porque começaram a viver todos juntos", diz ao CM o vizinho Inácio Mota.

A filha dos idosos seria vítima de violência doméstica e terá posto termo à vida com veneno.

António era reformado – tinha sido motorista na Câmara de Torres Vedras – e sofria de cancro. Deixa um filho, de 30 anos, que também vivia com os avós e o pai, mas não estaria em casa na altura do crime. "Os sogros até comida lhe negavam e trancavam-no fora de casa. Era uma relação muito difícil", adiantou o vizinho. A PJ investiga.

PORMENORES

PJ faz diligências

A PJ foi acionada e esteve no local do crime durante horas a fazer perícias. Elementos do Laboratório de Polícia Científica recolheram indícios. O corpo da vítima foi retirado de casa já depois das 00h00 de sexta-feira, por uma carrinha funerária.

Idosos num centro de dia

O homicida e a mulher passavam os dias num centro de dia e regressavam a casa à noite. Nos últimos dias, a doença da idosa, Isabel, tinha-se agravado e o casal era apoiado em casa por funcionários do centro de dia da freguesia, que levavam comida e ajudavam a mulher.

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