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Ministro, empresários, autarcas e jornalista: As teias da ‘Operação Babel’ em Gaia

Manuel Pizarro é suspeito no processo onde Eduardo Vítor Rodrigues é arguido. Diretor e administrador do JN, DN e TSF também visado na investigação.

19 de maio de 2023 às 18:11

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, está a ser investigado por suspeitas do crime de prevaricação no mesmo processo que constituiu arguido o presidente da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues. Domingos Andrade, o jornalista que é diretor-geral e administrador da Global Media, dona do JN, DN, O Jogo e TSF, é outros dos suspeitos neste processo que também visa Jorge Botelho, o ex-secretário de Estado de António Costa. Botelho é suspeito de alegadamente ter manipulado um processo com vista à perda de mandato do autarca gaiense, Vítor Rodrigues.

As suspeitas sobre Pizarro são anteriores à entrada do ministro no executivo de António Costa. Manuel Pizarro, que era eurodeputado, terá pedido a contratação de um ex-candidato do Partido Socialista à Junta da freguesia da Vitória, no centro histórico do Porto e um dos mobilizadores de votos para as eleições locais internas dos socialistas.

Ainda segundo o Ministério Público, o presidente da Câmara de Gaia terá pedido à Global Media que fossem escritas notícias que promovessem a atuação da Câmara de Gaia e do próprio presidente, Eduardo Vítor Rodrigues. Tal circunstância levou o MP a considerar o envolvimento na trama de Domingos Andrade, que acumula o cargo de administrador com o de diretor-geral editorial do grupo de Marco Galinha.

Em comunicado enviado ao CM, a administração da Global Media afirma que "Os profissionais da GMG exercem as suas funções com total respeito pelas normas deontológicas do jornalismo, preservando a independência e a separação dos compromissos comerciais assumidos com entidades externas". O grupo refere ainda que "dentro da Comissão Executiva da GMG [Global Media Group] são claras as separações de funções entre as áreas comercial, financeira e editorial".

Estes são alguns dos suspeitos apanhados na chamada ‘Operação Babel’, na qual Paulo Malafaia e Elad Dror, do grupo Fortera, um promotor imobiliário de luxo, são acusados de ter via direta para o vice-presidente da Câmara de Gaia, Patrocínio Azevedo. A investigação diz que Azevedo, detido na ‘Operação Babel’, fazia de tudo para servir os interesses dos dois empresários. A 21 de outubro de 2021, apenas nove dias após ter tomado posse do cargo nas últimas eleições, o autarca de Gaia elaborou um despacho para que fossem emitidas 34 licenças de utilização, que possibilitavam a realização de escrituras. Em causa estava um empreendimento de Paulo Malafaia.

Patrocínio deu ordem para a emissão das licenças - o que ocorreu no dia seguinte - ainda antes de Paulo Malafaia formalizar o pedido. Foi depois dada indicação para que o fizesse por email. Esta rapidez da autarquia levou a que os próprios amigos de Malafaia ficassem surpreendidos, o que está assente nas conversas intercetadas pela Polícia Judiciária. Também aqui foi o advogado João Lopes que foi o intermediário entre o corruptor e Patrocínio Azevedo. Malafaia estava desesperado por obter as licenças, até porque tinha tido queixas de vizinhos.

A aprovação do autarca de Gaia era fundamental para os dois empresários. Paulo Malafaia queria ter o aval de Patrocínio Azevedo para avançar com determinados negócios. Em agosto de 2021, o promotor imobiliário falou com João Lopes sobre a intenção de comprar uns terrenos em Gaia. "Mas antes... quero que seja tudo abençoado por ele, assim estamos todos à vontade", afirmava o promotor.

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