Um navio monocasco, semelhante ao petroleiro 'Prestige' que em Novembro do ano passado naufragou ao largo da Galiza, provocando uma tragédia ambiental, navega no estuário do rio Tejo.
O "Galp Rio", com capacidade para 700 toneladas de fuel, é propriedade da Galp Energia e tem por actividade exclusiva o abastecimento por via marítima deste combustível às embarcações que fazem escala no porto de Lisboa.
Este tipo de navio para o transporte de fuel é proibido pela União Europeia, no entanto, a Galp Energia informou o CM de que a directiva comunitária permite a circulação de monocascos, já existentes, até 2008.
"A União Europeia permite manter em actividade navios deste tipo até uma capacidade de cinco mil toneladas até 2008", disse fonte da empresa sustentando que o navio em causa possui todas as certificações de organizações internacionais exigidas. O navio é inspeccionado com regularidade e não há um incumprimento da legislação comunitária", afirmou a mesma fonte.
SUBSTITUIÇÃO ANTECIPADA
Com uma capacidade substancialmente menor que o 'Prestige', que no dia do naufrágio transportava 77 mil toneladas de crude, o 'Galp Rio' opera apenas no estuário do Tejo onde as condições para a ocorrência de um acidente de derrame são menores do que em mar alto, apontou ainda a Galp Energia.
Por sua vez, Francisco Ferreira, dirigente da organização ambientalista Quercus, salientou que "o caso deste monocasco não é o único perigo existente no estuário do Tejo, uma das dez zonas húmidas mais sensíveis da União Europeia".
"A substituição tão antecipada quanto possível deste navio deve ser realizada, tal como a adaptação de novas soluções para a trasfega de carvão para a cimenteira de Alhandra e na central térmica do Barreiro", sublinhou Francisco Ferreira.
O ambientalista frisou que "perante uma catástrofe ecológica a preparação existente nas zonas portuárias como Lisboa, Sines ou Leixões é melhor do que em outras situações, nomeadamente em mar alto onde ocorreu o acidente com o 'Prestige'".
NAVIOS DA 'LISTA NEGRA' EM PORTUGAL
Depois da catástrofe do 'Prestige', a União Europeia divulgou a 'lista negra' de 66 navios considerados muito perigosos e que deviam ser banidos das águas comunitárias. A lista integrava embarcações que, caso a nova legislação comunitária para a segurança marítima já estivesse em vigor, não poderiam navegar em águas europeias. Mas alguns desses navios continuam a transportar combustíveis e outros produtos de e para a Europa.
Um dos casos mais mediáticos foi o Nestor C, um porta-contentores que sofreu um rombo no casco e que carregava 30 mil toneladas de fosfato de amónio. O Nestor C esteve 33 dias a ser reparado em Sines e apenas abandonou águas nacionais em 24 de Janeiro. Ainda em Janeiro, outro dos navios considerados de risco muito elevado - o Gokhan Kiran, de pavilhão turco - esteve atracado no porto de Leixões, no dia 9.
Mas outros navios da 'lista negra' deram 'à costa' portuguesa. Entre 30 de Junho e 2 de Julho, o Arizona Dream, depois de uma passagem por Leixões, foi inspeccionado em Lisboa, tendo sido detectadas 12 deficiências. Entre 2 e 15 de Novembro, o petroleiro Archon, considerado de alto risco, esteve em Lisboa. Em 14 de Novembro, foi a vez de Setúbal receber um navio de risco muito elevado - o turco Kuruoglu III, ao qual foram detectadas 13 deficiências, duas das quais por... poluição marítima.
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