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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

MP de Coimbra acusa nove pessoas por associação criminosa. Suspeitos amealharam 4,4 milhões de euros

Grupo abriu 72 contas bancárias em território nacional, que utilizava para fragmentar os montantes e dificultar o rastreio das operações.

23 de abril de 2026 às 17:10

O Ministério Público (MP) de Coimbra acusou nove arguidos da coautoria de crimes de associação criminosa, branqueamento e falsificação de documentos, que terão gerado uma vantagem patrimonial de mais de 4,4 milhões de euros aos suspeitos.

Segundo o MP do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Coimbra, os arguidos, com idades compreendidas entre os 22 e os 43 anos, integravam uma estrutura criminosa organizada, de cariz transnacional.

A organização "especializou-se na ocultação e introdução no circuito económico legítimo de fundos monetários provenientes de burlas informáticas sofisticadas, possuindo um núcleo técnico e uma célula financeira, esta última sediada em Portugal", explicou o DIAP de Coimbra, na sua página da internet.

Enquanto o núcleo técnico executava intrusões informáticas no estrangeiro (através de esquemas de 'phishing', 'Business Email Compromise' e 'man-in-the-middle'), a célula financeira dedicava-se à receção, ocultação, conversão e dispersão dos fundos ilicitamente obtidos.

"Para o efeito, o grupo criou uma infraestrutura de fachada assente na falsificação de passaportes de diversas nacionalidades europeias, o que permitiu a criação de dez identidades fictícias e a constituição de 11 sociedades sem atividade real", apontou.

De acordo com o MP, através dessas identidades e entidades, foram abertas 72 contas bancárias em território nacional, utilizadas para fragmentar os montantes e dificultar o rastreio das operações.

"A esta estrutura acresceu a angariação de uma rede de intermediários ('contas-mula'), responsáveis por ceder o controlo de contas bancárias pessoais para a circulação de fundos ilícitos".

Esta vertente operacional foi consolidada com a criação de uma estrutura logística e operativa na cidade de Coimbra, no primeiro semestre de 2023, a partir da qual se coordenava o aliciamento de terceiros e a gestão dos fluxos financeiros destinados a ocultar a proveniência dos capitais.

Entre as múltiplas vítimas identificadas, estão empresas sediadas nos Estados Unidos da América, Noruega, Suécia, Reino Unido e Índia, bem como vítimas em território nacional, "cujas contas bancárias foram ilegitimamente acedidas para alimentar o circuito financeiro da organização".

Segundo o MP, o valor global da vantagem patrimonial obtida pelos arguidos com a atividade criminosa ascendeu, pelo menos, a 4.485.021,19 euros.

"No âmbito do processo, o Ministério Público logrou obter a apreensão e o congelamento judicial de saldos bancários no montante de 1.200.640,30 euros, tendo requerido a sua declaração de perda a favor do Estado, sem prejuízo das restituições devidas aos ofendidos, assim como requereu a condenação dos arguidos no pagamento do valor remanescente das vantagens dissipadas, superior a 3,2 milhões de euros", acrescentou o DIAP de Coimbra.

A investigação esteve a cargo da Diretoria do Centro da Polícia Judiciária.

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