Um homem de 30 anos, sem antecedentes criminais, estrangulou até à morte a namorada, Ana, de 27 anos, num apartamento da Quinta Nova, em Alvor, Portimão, ao princípio da tarde de sábado. S.C. entregou-se às autoridades e, por decisão do juiz, vai aguardar julgamento em prisão preventiva.
Ao fim da manhã de ontem, no Tribunal de Lagos, onde foi ouvido durante cerca de duas horas, para determinação da medida de coacção, o jovem músico, que costumava actuar em vários estabelecimentos da região tocando guitarra, colocou por diversas vezes a cabeça entre as mãos, murmurando expressões como: “O que é que eu fui fazer? O que é que aconteceu comigo?”
Os desentendimentos entre os dois namorados eram relativamente frequentes, mas S.C. “nunca foi dado a actos violência”, segundo familiares, que traçam dele o perfil de “uma pessoa tranquila, sem nenhum antecedente ou problema que fizesse prever este tipo de situação”.
Todos afirmam que S.C. gostava muito da namorada e terá sido um desentendimento entre os dois a originar o crime.
Ao início da manhã os dois terão estado na casa dela e ao princípio da tarde, já na residência dele (viviam em casas separadas), gerou-se uma discussão que terminou em tragédia: o músico agarrou o pescoço de Ana, estrangulando-a.
Foi o próprio autor confesso do crime a pedir socorro e, quando a ambulância do INEM chegou ao local, Ana estava em estado crítico, chegando ao Hospital do Barlavento, cerca de meia hora depois, já sem vida.
Na véspera de Natal, o acto praticado por S.C., natural de Portimão e residente no concelho, deixou a família “em estado de choque”, segundo um tio que ontem acompanhou o jovem a tribunal pois os pais e a sua única irmã (são gémeos) não se sentiam em condições psicológicas de ali se deslocar.
Ana trabalhava no ramo da imobiliária e o namoro com S.C. teria cerca de dois anos. O músico não escondia a sua paixão pela jovem mas amigos confidenciaram-nos que “por vezes andavam zangados, algo normal entre namorados”.
Entre os amigos a notícia foi acolhida com estranheza. “Nunca me pareceu pessoa capaz de praticar tal acto. É uma pessoa calma, que gosta muito do que faz”, referiu um colega de profissão.
A autópsia ao corpo de Ana, natural da freguesia de Santiago Maior, Beja, deverá realizar-se amanhã no Hospital do Barlavento (o corpo encontra-se aí nas instalações do Instituto de Medicina Legal), tudo apontando para que o exame confirme a morte por estrangulamento, acto que o namorado confirma ter praticado.
PSP REGISTOU 41 VÍTIMAS
Nos últimos cinco anos, entre 2000 e 2005 a PSP registou 41 casos em que homens e mulheres morreram assassinados nas mãos de companheiros ou cônjuges. Só no ano passado, a PSP recebeu 9816 denuncias de violência doméstica. Números que, de acordo com a Polícia, têm vindo a aumentar porque cada vez mais há consciência por parte das vítimas.
Ainda em 2005, a PSP deteve 249 suspeitos de violência doméstica. 65% dos casos registados ocorreram entre marido e mulher (ou entre companheiros). Em 8% das situações são ex-cônjuges ou ex-companheiros.
DA PSP PARA A GNR
Algum tempo depois de ter cometido o crime, S.C. apresentou-se na esquadra da PSP de Portimão, confessando o acto que tinha praticado. Como o músico mora em Alvor, zona de intervenção da GNR, foi aconselhado a deslocar-se ao quartel da Guarda, ficando aí detido até ser presente a Tribunal.
ATENUANTES
O pronto arrependimento do músico, entregando-se às autoridades pouco depois de ter cometido o crime, a confissão imediata do acto praticado e a circunstância de não ter antecedentes criminais são factores que podem funcionar como atenuantes no julgamento.
TENTOU SUICÍDIO
Ainda em Fevereiro último um canalizador de 38 anos estrangulou a mulher até à morte, meteu-a dentro de um roupeiro e depois tentou suicidar-se, na Marinha Grande.
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