Eduardo Vítor Rodrigues julgado por alegadamente ter usado dinheiros públicos para financiar viagens a jogos da Champions. "Não coloquei a Câmara Municipal a pagar viagens de lazer", disse.
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O ex-autarca de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, começou, esta segunda-feira, a ser julgado no Tribunal de Gaia por, alegadamente, ter usado dinheiro da autarquia para comprar bilhetes e viagens para comitiva para ir a jogos de futebol da Liga dos Campeões. No processo estão também a ser julgados Patrocínio Azevedo, antigo vice-presidente da autarquia gaiense, e Marta Santos, adjunta de Eduardo Vítor. Em causa dois jogos do Futebol Clube do Porto, em 2015 e 2016, em Londres, Inglaterra, e em Bruge, Bélgica.
Na primeira sessão de julgamento, apenas Eduardo Vítor mostrou intenção de falar e, durante várias horas, explicou os contornos do pagamento dessas viagens, lamentando a situação e dizendo que "não criei, nem inventei nenhum modelo": Lembrou que era uma situação que vinha de anteriores executivos, tendo em conta a ligação da autarquia com o Futebol Clube do Porto, relativa ao Centro de Estágios dos azuis e brancos, no Olival.
"Não fiz nenhuma comitiva de amigos, de familiares, não pus a câmara municipal a pagar viagens de lazer. Não fiz nada de errado, no sentido de lesar o erário público. Aqui tudo foi escrutinado, nada foi ocultado", disse, reforçando que as comitivas que foram aos dois jogos eram institucionais, com o objetivo de promover o concelho. "Não levei nenhuma comitiva de amigos ou familiares. levei uma representação de Vila Nova de Gaia porque acho que engrandece o município".
Questionado pelo Coletivo de Juízes sobre a utilidade das viagens para o munícipio, o ex-autarca explicou que o objetivo era criar e construir redes para o futuro. "Eu tomei uma decisão política, respeitei todos os trâmites. Compete às câmaras criar redes que depois possam trazer vantagens para o concelho", reforçou, lamentando a situação e a acusação que se arrasta há 10 anos. "Não foi uma escolha pessoal. Pode ser considerada uma escolha errada, mas foi um ato de gestão e não na lógica de levar A ou B. Este processo arrastou-se 10 anos, gerando dúvidas e calúnias", deixou claro.
Na primeira sessão do julgamento, Eduardo Vítor deixou ainda a certeza que os outros dois arguidos - Patrocínio Azevedo e Marta Santos - nada têm a ver com a decisão dos nomes que foram na comitiva.
O caso remonta aos anos de 2015 e 2016. Segundo a acusação do Ministério Público, o erário público terá sido lesado em 15800 euros, depois de terem sido autorizadas despesas do município para viagens de terceiros a jogos da Liga dos Campeões, consideradas de caráter lúdico e não institucional.
Eduardo Vítor Rodrigues está acusado de dois crimes de peculato e dois crimes de prevaricação.
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